quarta-feira, 12 de maio de 2010

Pressa

Dos teus braços, mulher
partem em tal doçura
seu brilho,
seus sapatos no encalço de alguém,
alguma coisa,
felicidade, que seja,
que enalteça, adormeça e te fale,
friamente, depois,
"me esqueça".
Desapareça, ouvi,
compreendi,
e foi o que fiz
visto que sumiço é trabalho
pra esperto.
E por estar perto,
a mulher, que os abraços ofereceu,
se descalçou dos sapatos e saiu,
de encalço,
mais uma vez,
atrás dos braços de outrém.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Impressiona a vontade do ser humano que, em existir, gosta do sofrer. E me envergonha, de certa forma, a forma com que um mínimo desgosto distrai e que, com gosto, faz questão em existir. O mal entretém, pois é.
A fortuna mora ao lado, ouço dizer, mas ninguém é capaz de tocar no vizinho num mero intuito de pedir uma xícara de açúcar sequer. E, olha, me estranha a falta de jeito, em partes inteira, saber que o sofrimento do outros dói tão pouco que a gente só é capaz de insistir em mandar passar e dizer "vai ficar tudo bem, eu garanto". Garante nada.
"Logo passa", dizem aos que sofrem, mas quando o mesmo dizem a mim, não me passa mais nada à cabeça que não atirar a tal xícara de açúcar na cara de alguém.
E dos mais devaneios e pensamentos longe de lineares, me pergunto somente: o homem faz parte do sofrer ou o sofrer é parte vital da essência do homem?

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Ao ano que vai, deixo somente as boas lembranças. Saudades não. Pesares não. As incertezas, junto das mais tímidas certezas, carrego comigo sempre. Dou as mãos e agradeço.
Ao mundo deixo um abraço; um passo maior de mais livros lidos, mais beijos dados, mais sorrisos arrancados. Às pessoas, tento dedicar somente amor, e toda a alegria que possa emanar dele.
Ao ano que chega não desejo nada. Não peço nada, não espero nada. Faço força para viver apenas, e arrancar o mesmo da vida. Da vida, assim também, não espero nada. Deixo ela andar sozinha que é mais emocionante.
À todos que ainda querem, desejo somente um feliz ano, e o maior número de braços que puderem abraçar.