K.,
A ti escrevo com uma certa urgência.
Escrevo sempre, pois pretendo acabar com o hábito da conversa solitária. Não tenho pretensão de parecer uma daquelas senhorinhas malucas que tagarelam pelas calçadas sem o menor pudor ou a menor noção de que o ouvinte é, para todos, invisível.
Também queria avisar que o mundo vai bem daqui de baixo, e também que agora acredito que forjei os pés para andar sozinha. Deves estar muito orgulhoso de mim. Eu mesma fiquei. Imagines minha mãe!
Sabes, queria ouvir que tu vais muito bem. Mas acredito que sim; tua felicidade me contagia. Tua alegria me embriaga e enobrece. Portanto, se assim estou, suponho que assim estejas também.
Da vida, conto-te que os homens ainda a vivem da mesma forma. Vivem passivamente, esquecem das paixões, do furor, euforia, essas coisas dos românticos fora de moda. Não se tem ideal no qual se agarrar, grande amigo; passivamente se vivem até as paixões.
Dos balcões de Ipanema, a vida ainda passa curta. Falta muita coisa, tu sabes, sempre soube. Falta amor.
Mas de amor, ninguém mais fala, que saibas disso também. Sinto muito, e sinto mesmo, mas são os poucos que sobraram. O amor se extinguiu, morre de dois em três dias. Alguns se salvam, graças ao bom credo.
Bom, de notícias me basto já. Agradeço por teu cuidado e dedicação pelo andar. Tu caminhas da forma mais amável possível, sempre pude enxergar.
Já sei que tu te resolvestes, bom amigo. Nós, talvez tenhamos simplesmente nos conformado. Mas assim está bom também.
A ti as palavras das mais carinhosas.
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
terça-feira, 29 de setembro de 2009
"(...) E eu te amo quase como o vento sopra a luz, que é da maior delicadeza possível. Transparece em cada feixe de cor, traçado em arco-íris (...).
E ser tua é também quase como ser a própria luz, em intensidade e brilho; um arrepio leve no feixe ao sopro do vento, e a promessa de fuga a todo, ou a destino algum.
E, finalmente, te amar é como viver: quer-se cada vez mais, e é um dos sentimentos mais urgentes que se pode ter."
E ser tua é também quase como ser a própria luz, em intensidade e brilho; um arrepio leve no feixe ao sopro do vento, e a promessa de fuga a todo, ou a destino algum.
E, finalmente, te amar é como viver: quer-se cada vez mais, e é um dos sentimentos mais urgentes que se pode ter."
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Eu finjo que sinto uma clareza tão grande
Enorme assim, como ela certa vez disse;
Com os braços abraçaria um gigante
E sem os pés correria o mundo inteiro.
Finjo que sou lúcida, sinto
também que sou maior que alcanço
Menor que o descanso
Do tamanho dos versos,
clareza de realidade,
Clarice duas vezes,
A Maria sem nome.
Sinto, além, a mentira
Salgada de dor e pão
que amasso só para fazer
maldade. Eu finjo que sinto clareza,
Sinto que sou real,
mas apago na flama,
em terror esculpido, irreal.
Enorme assim, como ela certa vez disse;
Com os braços abraçaria um gigante
E sem os pés correria o mundo inteiro.
Finjo que sou lúcida, sinto
também que sou maior que alcanço
Menor que o descanso
Do tamanho dos versos,
clareza de realidade,
Clarice duas vezes,
A Maria sem nome.
Sinto, além, a mentira
Salgada de dor e pão
que amasso só para fazer
maldade. Eu finjo que sinto clareza,
Sinto que sou real,
mas apago na flama,
em terror esculpido, irreal.
domingo, 20 de setembro de 2009
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
Tu vagueias em infinidade ínfima, num trejeito sem jeito.
Tuas dores, as minhas, sem apelo é também desleixo.
Sei o que buscas ao correr sob águas,
Descongelando os pés que há muito serpenteio.
Sabes, de tocaia, que teus olhos não mentem
Nem nunca falaram coisa que faz sentido.
Desinformo-me da vida ao saber dos teus gestos
Teu peito que arfou em calor e ímpeto,
Em tempestade não literal.
Ouço que na vida teus rodeios não mais valem
Tuas buscas, solavancos,
Teus dedos, dor pífia.
Tuas dores, as minhas, sem apelo é também desleixo.
Sei o que buscas ao correr sob águas,
Descongelando os pés que há muito serpenteio.
Sabes, de tocaia, que teus olhos não mentem
Nem nunca falaram coisa que faz sentido.
Desinformo-me da vida ao saber dos teus gestos
Teu peito que arfou em calor e ímpeto,
Em tempestade não literal.
Ouço que na vida teus rodeios não mais valem
Tuas buscas, solavancos,
Teus dedos, dor pífia.
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