Sou uma garota. Sou média, tenho cabelos castanhos e os olhos do mesmo jeito. Sou branca. Nasci branca e não pego muito sol. Isso não colabora muito para a formação de olheiras. Costumava culpar a minha mãe, por ter sido feita tão branca. Eu gosto de ser branca. Acho até que é elegante. Nasci branca, nasci menina.
Sempre gostei de culpar alguém. Deu errado, culpa dele. Deu certo, culpa dele também. Choveu, é culpa de alguém. Fui enganada, é culpa dele também. Acho que a transferência de culpa conforta. Tira um peso das costas. É verdade, nasci assim e podem culpar quem for por isso.
Vejo o mundo desse jeito. Meio torto, meio desvirtuado, mas belo. Acima de tudo belo. Penso que algumas coisas deram errado, mas isso, afinal, é culpa do Homem. Acho também culpa do Homem o fato de o plural ser masculino. Três meninas, um menino. Os meninos.
Não gosto de falar "acho". Acho insegurança. Acho pouca certeza de informação. Acho. Não, não acho. Penso, creio, acredito. Melhor assim. Afinal, penso que sou muito segura de mim, e é sim culpa de alguém o fato de eu duvidar grotescamente dessa informação.
Nasci meio médico, meio monstro. Gosto do obscuro, gosto do claro. Gosto muito da dicotomia. Vejo a dualidade com uma beleza fenomenal. As duas caras, o lado oposto, a bipolaridade.
Já tive problemas de relacionamentos. Acredito que terei pra sempre, mas no momento não tenho nenhum não. Que coisa mais monótona.
Minhas relações interpessoais sempre foram sinceras, ardentes. Gosto e gosto muito. Amo meus amigos. Eu nasci assim.
Meu irmão nasceu menino, eu, menina. Meu nome seria Mariana. Ou Gabriela. Nasci outra coisa. Meu irmão nasceu Gabriel. Minha vida poderia ter sido diferente se fosse Mariana. Ou Gabriela. Prefiro Maria, mas também gosto de Carolina.
Fiz certas escolhas. Podem não ter sido as melhores, mas não foram de todo ruim. Conheci gente nesse trajeto, desconheci e perdi gente também. Algumas não fazem falta, outras, daria o mundo pra ter de volta. Essas coisas a gente só dá valor quando perde, mas essa frase é um clichê. Não gosto de clichês. Minha vida é um grande clichê.
Minha vida é assim. Vai, vem. Nunca fica. Que bom. Nasci assim meio assado. Nasci menina. Vou morrer menina.
sexta-feira, 29 de maio de 2009
Brinde
Aos grandes camaradas, um pouco de saudade! Desejo sempre ao mundo aquela simpatia energizante que entrego sempre tão de graça, que acho que às vezes deveria cobrar.
Um brinde aos que falam mal de mim! Sua lucidez me enobrece, meus caros. Inimigos, que venham. Acho que não tenho nenhum, mas certifico-me que adoro todos.
Amor, amor! Quem não precisa de um pouco de amor? Eu quero uma boa dose, copo cheio, por favor, de amor. Amor pra mim, pra você, pra ela. Amemo-nos todos! Desejo amor.
Amigos, meus amigos, eu amo vocês. Quero dar vocês ao mundo, de tão bons que são. Tão lindos, frios, quentes, dizimáveis, arrasadores. Quero vocês, quero sempre, quero muito.
Quero saudade de você que eu sinto tanto sempre todo dia toda hora.
Ai, simpatia melancólica que a gente dá de graça a cachaça só por hábito. De dar.
Toupeiras da minha vida, tão lindas e amarelas que espio da janela quando vão passar para dar um alou.
Alou alou, gente boa, tão boa gente que quero perto. Fiquem juntos, isso, junto de mim. Eu quero.
Ah, eu quero a saudade insalubre salutar que me assome e mata e ama e desfaz toda a simpatia angustiante.
Venham, amigos, inimigos, que vos amo tanto que quero gritar ao mundo só pra deixar escorrer um pouco de coisa boa pra quem precisa.
Vendo canções, um pouco ruins, mas caso queiram, cá estão. Canto a vida pra vocês que são a minha pura razão de existência. Existência de razão. Vocês, e um pouco de mim.
Até mais ver, meus caros.
Um brinde aos que falam mal de mim! Sua lucidez me enobrece, meus caros. Inimigos, que venham. Acho que não tenho nenhum, mas certifico-me que adoro todos.
Amor, amor! Quem não precisa de um pouco de amor? Eu quero uma boa dose, copo cheio, por favor, de amor. Amor pra mim, pra você, pra ela. Amemo-nos todos! Desejo amor.
Amigos, meus amigos, eu amo vocês. Quero dar vocês ao mundo, de tão bons que são. Tão lindos, frios, quentes, dizimáveis, arrasadores. Quero vocês, quero sempre, quero muito.
Quero saudade de você que eu sinto tanto sempre todo dia toda hora.
Ai, simpatia melancólica que a gente dá de graça a cachaça só por hábito. De dar.
Toupeiras da minha vida, tão lindas e amarelas que espio da janela quando vão passar para dar um alou.
Alou alou, gente boa, tão boa gente que quero perto. Fiquem juntos, isso, junto de mim. Eu quero.
Ah, eu quero a saudade insalubre salutar que me assome e mata e ama e desfaz toda a simpatia angustiante.
Venham, amigos, inimigos, que vos amo tanto que quero gritar ao mundo só pra deixar escorrer um pouco de coisa boa pra quem precisa.
Vendo canções, um pouco ruins, mas caso queiram, cá estão. Canto a vida pra vocês que são a minha pura razão de existência. Existência de razão. Vocês, e um pouco de mim.
Até mais ver, meus caros.
terça-feira, 26 de maio de 2009
Assim longe do chão
Me ensina a não ter os pés tão perto do chão. A viver a vida assim mais perto, mais perto de você e de mim.
Me diz quantas vidas tenho na mão: Se é pra ficar com o que vale a pena, prefiro ficar longe do não.
Me diz se pra voar alto tenho que seguir assim. Não lembro como faz.
A dor da saudade, que sente quem fica longe do querer, é doída, é sofrida. Eternidade transformada em perder.
Essa dor me traz tanta beleza, mas eu insisto em transformar em tristeza, que é muito mais bonita que você.
Me ensina a amar mais essas palavras que, caladas, dizem mais.
Quero sentir seu silêncio infame, doce; olhar que fala mais que mil bocas que gritam meu nome.
Prefiro assim, quieto, que sua voz, que é linda, mas que pode machucar.
Áspero e discreto flutua, sem pensar no porém, esquecendo de alguém que pode muito mais esperar.
Agora cala, não pensa.
Pensa só em mim... nos pés fora do chão e em mais ninguém.
Me diz quantas vidas tenho na mão: Se é pra ficar com o que vale a pena, prefiro ficar longe do não.
Me diz se pra voar alto tenho que seguir assim. Não lembro como faz.
A dor da saudade, que sente quem fica longe do querer, é doída, é sofrida. Eternidade transformada em perder.
Essa dor me traz tanta beleza, mas eu insisto em transformar em tristeza, que é muito mais bonita que você.
Me ensina a amar mais essas palavras que, caladas, dizem mais.
Quero sentir seu silêncio infame, doce; olhar que fala mais que mil bocas que gritam meu nome.
Prefiro assim, quieto, que sua voz, que é linda, mas que pode machucar.
Áspero e discreto flutua, sem pensar no porém, esquecendo de alguém que pode muito mais esperar.
Agora cala, não pensa.
Pensa só em mim... nos pés fora do chão e em mais ninguém.
Carta ao Não
Não,
Pára de sair da minha boca.
Ser sempre tão áspero, tão ríspido.
Pára de reprimir o que me é bom e existe.
Impossível ser pro bem, carrasco que não deixa sorrir.
Cuida do seu também, porque deve ser duro ser um Não, que desata e desfaz o que veio pro meu bem.
Ajuda quem precisa. Ajuda-me na verdade, que Não da minha boca só sai. Sai pro que quero e desquero.
Confusa, só peço uma coisa: pára de ser Não.
Pára de sair da minha boca.
Ser sempre tão áspero, tão ríspido.
Pára de reprimir o que me é bom e existe.
Impossível ser pro bem, carrasco que não deixa sorrir.
Cuida do seu também, porque deve ser duro ser um Não, que desata e desfaz o que veio pro meu bem.
Ajuda quem precisa. Ajuda-me na verdade, que Não da minha boca só sai. Sai pro que quero e desquero.
Confusa, só peço uma coisa: pára de ser Não.
segunda-feira, 25 de maio de 2009
Travado
Sossego, de onde vem?
Que não chega!
Não tem.
Preciso de um chamego,
meu preto, meu bem.
Acalma o desespero
carente, pueril.
Trabalho o desapego
No forro do puro gozo!
Primavera juvenil
trazendo a calmaria:
Me mascara a calma,
e tem a cara da minha alma.
Que não chega!
Não tem.
Preciso de um chamego,
meu preto, meu bem.
Acalma o desespero
carente, pueril.
Trabalho o desapego
No forro do puro gozo!
Primavera juvenil
trazendo a calmaria:
Me mascara a calma,
e tem a cara da minha alma.
Meu retrato de Laura
Laura é bonita,
diferente, latente.
sofre a vida assim sem menos,
vive como gente.
Sua boca é linda, vermelha, carnal.
Perde a inocência num desvio óbvio, obscuro, claro
numa noitezinha de carnaval.
Seu cabelo é louro,
quase louro.
Louro eu digo, mas que na verdade é escuro.
Escuros são os fios d'ouro.
O nome dela,
Laura, querida,
não nomeia.
Dá, mas dá, me dá,
nome de mentira que fica grudado aqui na cabeça
com os cabelos.
Fica preso no sonho que eu sonho todos os dias
com você.
Seu corpo é comprido e encomprida a compridância
de um abraço que marca,
que me protege.
É tão bom.
Meu desejo fica fechado,
trancado num segredo que não conto
não conto pra ninguém
pra ninguém saber que gosto tanto de Laura.
Pra não gostarem também.
A Laura dança,
sabe dançar,
mas perto dela, o samba fica mudo.
A nota de um samba só fica
triste, sozinha
notada, sambada,
mas só.
Só sem Laura.
E sem Laura, sozinho ou não, não vivo.
diferente, latente.
sofre a vida assim sem menos,
vive como gente.
Sua boca é linda, vermelha, carnal.
Perde a inocência num desvio óbvio, obscuro, claro
numa noitezinha de carnaval.
Seu cabelo é louro,
quase louro.
Louro eu digo, mas que na verdade é escuro.
Escuros são os fios d'ouro.
O nome dela,
Laura, querida,
não nomeia.
Dá, mas dá, me dá,
nome de mentira que fica grudado aqui na cabeça
com os cabelos.
Fica preso no sonho que eu sonho todos os dias
com você.
Seu corpo é comprido e encomprida a compridância
de um abraço que marca,
que me protege.
É tão bom.
Meu desejo fica fechado,
trancado num segredo que não conto
não conto pra ninguém
pra ninguém saber que gosto tanto de Laura.
Pra não gostarem também.
A Laura dança,
sabe dançar,
mas perto dela, o samba fica mudo.
A nota de um samba só fica
triste, sozinha
notada, sambada,
mas só.
Só sem Laura.
E sem Laura, sozinho ou não, não vivo.
domingo, 3 de maio de 2009
De lá de longe do mar
Longe de outros, eu te achei
Perto de mais outros, eu te perdi
Agora que me falta, não sei onde encontrar
Peço que me acalme
N'outro lugar
Chão que sai do piso
Fora do ar
Cais que desembarca
N'outro lugar
Barca solta que margeia
A vida sem par
E onde te acho, que já não sei procurar?
Sabe que não vivo tão longe do mar...
E ontem me achei,
Mas hoje perdi de novo...
E onde eu te encontro, se não posso mais chorar?
Onde desaprendi o choro,
Que vinha tão natural?
Onde perco as lágrimas,
Que já não quero limpar?
Perto de mais outros, eu te perdi
Agora que me falta, não sei onde encontrar
Peço que me acalme
N'outro lugar
Chão que sai do piso
Fora do ar
Cais que desembarca
N'outro lugar
Barca solta que margeia
A vida sem par
E onde te acho, que já não sei procurar?
Sabe que não vivo tão longe do mar...
E ontem me achei,
Mas hoje perdi de novo...
E onde eu te encontro, se não posso mais chorar?
Onde desaprendi o choro,
Que vinha tão natural?
Onde perco as lágrimas,
Que já não quero limpar?
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