"Sorria, sorria" diziam, e mesmo no calor que estia, se via vazia de riso para enfim sorrir em vão.
"Sabe...", pensava. "Discordo do modo que falam e calam e criticam só pelo esporte que é criticar. Sofro, ao invés de sorrir, que é mais bonito e mais pensado; e assim é, de certa forma, mais fácil carregar o fado."
terça-feira, 17 de novembro de 2009
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
sábado, 3 de outubro de 2009
"(...) Eu gosto quando mentem! A mentira é o único privilégio humano perante todos os organismos. Quem mente chega à verdade! Minto, por isso sou um ser humano. Nunca se chegou a nenhuma verdade sem antes haver mentido de antemão quatorze, e talvez até cento e quatorze vezes, e isso é uma espécie de honra; mas nós não somos capazes nem de mentir com inteligência! Mente para mim, mas mente a teu modo, e então eu te dou um beijo. Mentir a teu modo é quase melhor do que falar a verdade à moda alheia; no primeiro caso és um ser humano, no segundo, não passas de um pássaro! A verdade não foge e a vida a gente pode segurar com pregos; exemplos houve. E hoje, o que nós fazemos? Todos nós, todos sem exceção, no que se refere à ciência, ao desenvolvimento, ao pensamento, aos inventos, aos ideias, aos desejos, ao liberalismo, à razão, à experiência e tudo, tudo, tudo, tudo, ainda estamos na primeira classe preparatória do colégio! Nós nos contentamos em viver da inteligência alheia - e nos impregnamos! (...)"
F. Dostoiévski
F. Dostoiévski
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
K.,
A ti escrevo com uma certa urgência.
Escrevo sempre, pois pretendo acabar com o hábito da conversa solitária. Não tenho pretensão de parecer uma daquelas senhorinhas malucas que tagarelam pelas calçadas sem o menor pudor ou a menor noção de que o ouvinte é, para todos, invisível.
Também queria avisar que o mundo vai bem daqui de baixo, e também que agora acredito que forjei os pés para andar sozinha. Deves estar muito orgulhoso de mim. Eu mesma fiquei. Imagines minha mãe!
Sabes, queria ouvir que tu vais muito bem. Mas acredito que sim; tua felicidade me contagia. Tua alegria me embriaga e enobrece. Portanto, se assim estou, suponho que assim estejas também.
Da vida, conto-te que os homens ainda a vivem da mesma forma. Vivem passivamente, esquecem das paixões, do furor, euforia, essas coisas dos românticos fora de moda. Não se tem ideal no qual se agarrar, grande amigo; passivamente se vivem até as paixões.
Dos balcões de Ipanema, a vida ainda passa curta. Falta muita coisa, tu sabes, sempre soube. Falta amor.
Mas de amor, ninguém mais fala, que saibas disso também. Sinto muito, e sinto mesmo, mas são os poucos que sobraram. O amor se extinguiu, morre de dois em três dias. Alguns se salvam, graças ao bom credo.
Bom, de notícias me basto já. Agradeço por teu cuidado e dedicação pelo andar. Tu caminhas da forma mais amável possível, sempre pude enxergar.
Já sei que tu te resolvestes, bom amigo. Nós, talvez tenhamos simplesmente nos conformado. Mas assim está bom também.
A ti as palavras das mais carinhosas.
A ti escrevo com uma certa urgência.
Escrevo sempre, pois pretendo acabar com o hábito da conversa solitária. Não tenho pretensão de parecer uma daquelas senhorinhas malucas que tagarelam pelas calçadas sem o menor pudor ou a menor noção de que o ouvinte é, para todos, invisível.
Também queria avisar que o mundo vai bem daqui de baixo, e também que agora acredito que forjei os pés para andar sozinha. Deves estar muito orgulhoso de mim. Eu mesma fiquei. Imagines minha mãe!
Sabes, queria ouvir que tu vais muito bem. Mas acredito que sim; tua felicidade me contagia. Tua alegria me embriaga e enobrece. Portanto, se assim estou, suponho que assim estejas também.
Da vida, conto-te que os homens ainda a vivem da mesma forma. Vivem passivamente, esquecem das paixões, do furor, euforia, essas coisas dos românticos fora de moda. Não se tem ideal no qual se agarrar, grande amigo; passivamente se vivem até as paixões.
Dos balcões de Ipanema, a vida ainda passa curta. Falta muita coisa, tu sabes, sempre soube. Falta amor.
Mas de amor, ninguém mais fala, que saibas disso também. Sinto muito, e sinto mesmo, mas são os poucos que sobraram. O amor se extinguiu, morre de dois em três dias. Alguns se salvam, graças ao bom credo.
Bom, de notícias me basto já. Agradeço por teu cuidado e dedicação pelo andar. Tu caminhas da forma mais amável possível, sempre pude enxergar.
Já sei que tu te resolvestes, bom amigo. Nós, talvez tenhamos simplesmente nos conformado. Mas assim está bom também.
A ti as palavras das mais carinhosas.
terça-feira, 29 de setembro de 2009
"(...) E eu te amo quase como o vento sopra a luz, que é da maior delicadeza possível. Transparece em cada feixe de cor, traçado em arco-íris (...).
E ser tua é também quase como ser a própria luz, em intensidade e brilho; um arrepio leve no feixe ao sopro do vento, e a promessa de fuga a todo, ou a destino algum.
E, finalmente, te amar é como viver: quer-se cada vez mais, e é um dos sentimentos mais urgentes que se pode ter."
E ser tua é também quase como ser a própria luz, em intensidade e brilho; um arrepio leve no feixe ao sopro do vento, e a promessa de fuga a todo, ou a destino algum.
E, finalmente, te amar é como viver: quer-se cada vez mais, e é um dos sentimentos mais urgentes que se pode ter."
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Eu finjo que sinto uma clareza tão grande
Enorme assim, como ela certa vez disse;
Com os braços abraçaria um gigante
E sem os pés correria o mundo inteiro.
Finjo que sou lúcida, sinto
também que sou maior que alcanço
Menor que o descanso
Do tamanho dos versos,
clareza de realidade,
Clarice duas vezes,
A Maria sem nome.
Sinto, além, a mentira
Salgada de dor e pão
que amasso só para fazer
maldade. Eu finjo que sinto clareza,
Sinto que sou real,
mas apago na flama,
em terror esculpido, irreal.
Enorme assim, como ela certa vez disse;
Com os braços abraçaria um gigante
E sem os pés correria o mundo inteiro.
Finjo que sou lúcida, sinto
também que sou maior que alcanço
Menor que o descanso
Do tamanho dos versos,
clareza de realidade,
Clarice duas vezes,
A Maria sem nome.
Sinto, além, a mentira
Salgada de dor e pão
que amasso só para fazer
maldade. Eu finjo que sinto clareza,
Sinto que sou real,
mas apago na flama,
em terror esculpido, irreal.
domingo, 20 de setembro de 2009
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
Tu vagueias em infinidade ínfima, num trejeito sem jeito.
Tuas dores, as minhas, sem apelo é também desleixo.
Sei o que buscas ao correr sob águas,
Descongelando os pés que há muito serpenteio.
Sabes, de tocaia, que teus olhos não mentem
Nem nunca falaram coisa que faz sentido.
Desinformo-me da vida ao saber dos teus gestos
Teu peito que arfou em calor e ímpeto,
Em tempestade não literal.
Ouço que na vida teus rodeios não mais valem
Tuas buscas, solavancos,
Teus dedos, dor pífia.
Tuas dores, as minhas, sem apelo é também desleixo.
Sei o que buscas ao correr sob águas,
Descongelando os pés que há muito serpenteio.
Sabes, de tocaia, que teus olhos não mentem
Nem nunca falaram coisa que faz sentido.
Desinformo-me da vida ao saber dos teus gestos
Teu peito que arfou em calor e ímpeto,
Em tempestade não literal.
Ouço que na vida teus rodeios não mais valem
Tuas buscas, solavancos,
Teus dedos, dor pífia.
domingo, 30 de agosto de 2009
Inspirado e quase-resposta ao "Acaso mal-dosado (lotérica)", do Pedro Braga
Querido, joga os dados como quem escreve aquele que não teme.
Perder não é o grande lance, como um retrato transversado de perfil.
Se as distâncias perdem a competência nos esbarros dos acasos,
Pedir licença já não é mais a solução:
Fugimos pela tangente.
Os acasos, de certa forma, delimitam o leque de oportunidades...
Deixaram-me jogada à própria sorte.
Se o prazer-a-prazo é forma de precipício, mostra que eu fujo:
Não sou hedonista.
Como um poeta dedicado ao anonimato, uso o vocativo sem medo de afastar.
Querido, se os versos sucedem as tentativas, já lucrou com o sucesso pretenso.
Continua e escreve como quem joga dados,
Que é do maior encanto, de soslaio ou não.
Querido, joga os dados como quem escreve aquele que não teme.
Perder não é o grande lance, como um retrato transversado de perfil.
Se as distâncias perdem a competência nos esbarros dos acasos,
Pedir licença já não é mais a solução:
Fugimos pela tangente.
Os acasos, de certa forma, delimitam o leque de oportunidades...
Deixaram-me jogada à própria sorte.
Se o prazer-a-prazo é forma de precipício, mostra que eu fujo:
Não sou hedonista.
Como um poeta dedicado ao anonimato, uso o vocativo sem medo de afastar.
Querido, se os versos sucedem as tentativas, já lucrou com o sucesso pretenso.
Continua e escreve como quem joga dados,
Que é do maior encanto, de soslaio ou não.
Tenha pena de seu reles duvidar:
caos que se instaura, assim
em frieza e pesar.
Desenvoque com a mínima destreza
o passado que se instala em mim
e sim, mais uma vez,
tenha a fineza
de me desinventar.
Desapego, enfim,
da gente que se inebria inutilmente
e se embriaga do seu caos e pesar,
mas na pena, suave, e quente
resta só o meu constante duvidar.
caos que se instaura, assim
em frieza e pesar.
Desenvoque com a mínima destreza
o passado que se instala em mim
e sim, mais uma vez,
tenha a fineza
de me desinventar.
Desapego, enfim,
da gente que se inebria inutilmente
e se embriaga do seu caos e pesar,
mas na pena, suave, e quente
resta só o meu constante duvidar.
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Peço desculpas se tu vens andando com pressa,
e te esbarras nos caminhos, sem tempo de pedir, assim,
licença.
Desenvogo, enfim, - em toda - nessa
margem com a destreza de saber no fim
quem me empata os caminhos sem pedir ao menos
Desculpa.
Sinto muito por passar por mim
sem te olhar atrás,
com a pressa dos passos pequenos
e sem a fineza de pedir licença.
Sufoquei, eu sei, assim
em branco no passado magro e
cru, nos passos largos que me guiaram até então.
Em vão.
Sabe, peço desculpas se tu vens assim
com pressa; mas não te impeço.
Não por inteiro.
e te esbarras nos caminhos, sem tempo de pedir, assim,
licença.
Desenvogo, enfim, - em toda - nessa
margem com a destreza de saber no fim
quem me empata os caminhos sem pedir ao menos
Desculpa.
Sinto muito por passar por mim
sem te olhar atrás,
com a pressa dos passos pequenos
e sem a fineza de pedir licença.
Sufoquei, eu sei, assim
em branco no passado magro e
cru, nos passos largos que me guiaram até então.
Em vão.
Sabe, peço desculpas se tu vens assim
com pressa; mas não te impeço.
Não por inteiro.
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Desacato em drama o sossego de canto largo
Desesperando pranto lento que me engana
Assim, em luz, frieza e rente
Desata um nó, e carrega o fardo,
Sofrido; feroz e inutilmente.
Principio estéril o amor passado
Desacatado, enfim, em realidade presente
Escorrida em paixão, de forma lenta e quente
Descobrindo o amor, sutil e errado,
Sabendo, sobretudo, que ele mente.
Desesperando pranto lento que me engana
Assim, em luz, frieza e rente
Desata um nó, e carrega o fardo,
Sofrido; feroz e inutilmente.
Principio estéril o amor passado
Desacatado, enfim, em realidade presente
Escorrida em paixão, de forma lenta e quente
Descobrindo o amor, sutil e errado,
Sabendo, sobretudo, que ele mente.
quarta-feira, 29 de julho de 2009
De tudo um pouco - mais uma vez, de novo.
Ouvi dizer que os cegos não enxergam, mas carregam na percepção aquilo mais que ninguém ousa sentir.
Tateiam assim no escuro, pra ceder o claro, que precede o tato, tatuagem perfeita no corpo nu. Que desencobre sombra e luz na claridade do mais esperado... tato.
Ouvi dizer que os cegos não enxergam, mas carregam na percepção aquilo mais que ninguém ousa sentir.
Tateiam assim no escuro, pra ceder o claro, que precede o tato, tatuagem perfeita no corpo nu. Que desencobre sombra e luz na claridade do mais esperado... tato.
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Procuro no instável o preço do claro e simples, que escurece em dificuldade, em tamanho diferente. Espaireço no azul e amargo, caos de anis e sopro, torpor da mente.
Procurei, enfim, passado presente, desfigurado em poucos, amargo e demente. Resultou em doce frescor, pavor que assola e quente, encaminhado em simplicidade ardente.
Procurei, enfim, passado presente, desfigurado em poucos, amargo e demente. Resultou em doce frescor, pavor que assola e quente, encaminhado em simplicidade ardente.
quarta-feira, 15 de julho de 2009
Cerrado, assim; falado,
o peito arfa e enobrece.
Falado, o coração, errado,
não sei,
bate do jeito fechado e
abre; esquece.
Cansado, eu sei;
errado, talvez;
disritma da forma
certeira de certa
maneira virado.
Fechado em você; parado.
Rimado, talvez, disritma
outra vez, calado.
Pensado em três,
cansado na tez, o coração,
enfim, de vez, dobrado.
o peito arfa e enobrece.
Falado, o coração, errado,
não sei,
bate do jeito fechado e
abre; esquece.
Cansado, eu sei;
errado, talvez;
disritma da forma
certeira de certa
maneira virado.
Fechado em você; parado.
Rimado, talvez, disritma
outra vez, calado.
Pensado em três,
cansado na tez, o coração,
enfim, de vez, dobrado.
quinta-feira, 9 de julho de 2009
Dança dos quatro passos
1) Vivo numa avalanche que desce subindo numa onda de simples gestos que me assolam por inteiro.
2) Quero assim querendo um amor que despedaça, sem pedaços, apertando o coração, batendo primeiro, (des)figurando ligeiro.
3) Despretenso um sentimento puro assim sem hora, que ora vem, ora vai, mas fica sempre e bate, junto do peito, de novo, primeiro.
4) Reconheço na saudade a idade do que sinto nessa avalanche que sobe, desce, na onda intensa destes gestos que me assolam, agora sim, por inteiro.
2) Quero assim querendo um amor que despedaça, sem pedaços, apertando o coração, batendo primeiro, (des)figurando ligeiro.
3) Despretenso um sentimento puro assim sem hora, que ora vem, ora vai, mas fica sempre e bate, junto do peito, de novo, primeiro.
4) Reconheço na saudade a idade do que sinto nessa avalanche que sobe, desce, na onda intensa destes gestos que me assolam, agora sim, por inteiro.
terça-feira, 7 de julho de 2009
Reflexo #2
Preciso me ocupar. Crises existenciais me são muito frequentes, mas frequência é algo que, até certo ponto, me irrita. Não gosto muito do conceito frequentar. Que lugares você frequenta? Sempre a mesma coisa. Igual presença.
Presença, por outro lado, acho bom. Certeza de ter uma presença, por exemplo. Mas presença demais também é enjoadinho.
Estou meio enjoadinha no dado momento. Dor de estômago, sabe como é.
Quando eu era criança, achava que tinha vindo com defeito. Tudo em mim é meio errado, meio certo. Já disse uma vez que me acho meio médico meio monstro. Já disse que acho achar uma coisa meio suspeita. Mas esses são uns outros quinhentos que eu nem sequer tenho.
Como eu dizia, preciso me ocupar. Ando até ocupada demais. Ocupada e cheia de tempo livre, se é que dá para entender.
Pode parecer meio simplista, mas é bom se ocupar para não ter que pensar. Pensar às vezes dá um trabalho danado, mas não pensar é muito evangélico. Sempre tive uma tendência para o candomblé.
Simplista ou não, eu adoro uma dicotomia. Dá muito mais graça, mas confesso que isso é outra coisa que dá trabalho.
Eu, por exemplo, gosto de poesia, mas sou péssima poeta. A dicotomia nem sempre é justa, ou, no meu caso, mesmo dicotômica.
(Para desbaratinar, adoro um eu lírico masculino.)
Mas como ia por ora dizendo, preciso me ocupar. Mas estar ocupada em não pensar, em só viver tem me sido muito bom.
Presença, por outro lado, acho bom. Certeza de ter uma presença, por exemplo. Mas presença demais também é enjoadinho.
Estou meio enjoadinha no dado momento. Dor de estômago, sabe como é.
Quando eu era criança, achava que tinha vindo com defeito. Tudo em mim é meio errado, meio certo. Já disse uma vez que me acho meio médico meio monstro. Já disse que acho achar uma coisa meio suspeita. Mas esses são uns outros quinhentos que eu nem sequer tenho.
Como eu dizia, preciso me ocupar. Ando até ocupada demais. Ocupada e cheia de tempo livre, se é que dá para entender.
Pode parecer meio simplista, mas é bom se ocupar para não ter que pensar. Pensar às vezes dá um trabalho danado, mas não pensar é muito evangélico. Sempre tive uma tendência para o candomblé.
Simplista ou não, eu adoro uma dicotomia. Dá muito mais graça, mas confesso que isso é outra coisa que dá trabalho.
Eu, por exemplo, gosto de poesia, mas sou péssima poeta. A dicotomia nem sempre é justa, ou, no meu caso, mesmo dicotômica.
(Para desbaratinar, adoro um eu lírico masculino.)
Mas como ia por ora dizendo, preciso me ocupar. Mas estar ocupada em não pensar, em só viver tem me sido muito bom.
quarta-feira, 24 de junho de 2009
R.
Da alma, calo que inflama, recebo conforto.
Mentira.
Do corpo, calor que acalma a flama, sacio.
Sou vazia.
Do amor, que prometeu pontes e endereços, me engano.
Verdade.
De você, que já fazem três anos...
Saudade.
Mentira.
Do corpo, calor que acalma a flama, sacio.
Sou vazia.
Do amor, que prometeu pontes e endereços, me engano.
Verdade.
De você, que já fazem três anos...
Saudade.
Retrato seu e meu ou declarações a Caio Moraes Ferreira
Encapo-me no disfarce do falso. Deixo de lado todo jogo que insistem em chamar afeto.
Eu não me afeto.
Eu finjo que não amo. Finjo que não sinto, que sou pedra. Pedra dura que batem, mas ninguém fura.
Afeta-me, porém, a pequeneza e audácia dos que brincam com as imprudências dos amores pós modernos... E chamam isso tudo de amor. É mesmo triste o ser humano.
Disfarço-me de frieza e mármore. Sou falsa, sou rasa. Volátil, retrátil, imortal... mas me afeta - e como - fingir que não me afeto, que sou animal.
Apego-me aos meus silêncios e rejeito suas rejeições.
À parte, declaro:
Apego-me e afeiçoo-me a você, meu amigo, meu amor, porque me convém. Você, mais que o mundo, sabe ser minha minudência de integridade. Meu canto de saudade. De verdade.
Você é imortal, mas raso; intenso, mas retrátil, e humano, sobretudo humano. Sem resquício animal. Sem disfarce. Sem capa. Sem falso. Real.
Você, minha realidade.
Eu, sua raridade.
Eu não me afeto.
Eu finjo que não amo. Finjo que não sinto, que sou pedra. Pedra dura que batem, mas ninguém fura.
Afeta-me, porém, a pequeneza e audácia dos que brincam com as imprudências dos amores pós modernos... E chamam isso tudo de amor. É mesmo triste o ser humano.
Disfarço-me de frieza e mármore. Sou falsa, sou rasa. Volátil, retrátil, imortal... mas me afeta - e como - fingir que não me afeto, que sou animal.
Apego-me aos meus silêncios e rejeito suas rejeições.
À parte, declaro:
Apego-me e afeiçoo-me a você, meu amigo, meu amor, porque me convém. Você, mais que o mundo, sabe ser minha minudência de integridade. Meu canto de saudade. De verdade.
Você é imortal, mas raso; intenso, mas retrátil, e humano, sobretudo humano. Sem resquício animal. Sem disfarce. Sem capa. Sem falso. Real.
Você, minha realidade.
Eu, sua raridade.
segunda-feira, 22 de junho de 2009
Ontem
Ontem eu derramei umas lágrimas por você. Na verdade, para, e não por você.
Minha oferenda silenciosa não sentiu o gosto dos suspiros que deixei para você. Os suspiros, engasgados, ficaram presos, com vergonha de existir.
Essas lágrimas, morena, lhe dei para extravasar, para chamar você pro agora, que não é amanhã, e nem ontem.
Ontem eu derramei umas lágrimas para você. Derramei só pra você sair, sair assim de mim.
Pois se lhe choro, lhe perco, mulher, e lhe perdendo, me mostro. E me mostro como quem atua. Mostro toda minha fachada crua. Nua.
Não sou de papel. Não rasgo fácil assim. Minha nudez me envolve. Não me preocupo. Reergo.
Ontem eu derramei umas lágrimas para você. Para você sair inteira e vazia de mim.
Minha oferenda silenciosa não sentiu o gosto dos suspiros que deixei para você. Os suspiros, engasgados, ficaram presos, com vergonha de existir.
Essas lágrimas, morena, lhe dei para extravasar, para chamar você pro agora, que não é amanhã, e nem ontem.
Ontem eu derramei umas lágrimas para você. Derramei só pra você sair, sair assim de mim.
Pois se lhe choro, lhe perco, mulher, e lhe perdendo, me mostro. E me mostro como quem atua. Mostro toda minha fachada crua. Nua.
Não sou de papel. Não rasgo fácil assim. Minha nudez me envolve. Não me preocupo. Reergo.
Ontem eu derramei umas lágrimas para você. Para você sair inteira e vazia de mim.
terça-feira, 16 de junho de 2009
segunda-feira, 15 de junho de 2009
Renovando
Você morreu. Todos meus exatos 732 amores dispersos se foram também. Matei-os todos com prazer serial. Chutei-os todos com fervor animal.
Matei meus amores e assisti. Observei sadicamente a morte lenta, sofrida e dolorosa de cada um. Matei por dever. Matei por prazer. Eu gostei.
Sei bem que uns 3 ou 4 me voltam. É o hábito.
Quem sabe não me livro de mais uma dúzia de (maus) hábitos... Afinal, quem mais acredita no amor?
Matei meus amores e assisti. Observei sadicamente a morte lenta, sofrida e dolorosa de cada um. Matei por dever. Matei por prazer. Eu gostei.
Sei bem que uns 3 ou 4 me voltam. É o hábito.
Quem sabe não me livro de mais uma dúzia de (maus) hábitos... Afinal, quem mais acredita no amor?
sábado, 13 de junho de 2009
terça-feira, 9 de junho de 2009
Petit Mort
A ti ofereci meus sentidos,
Que, mesmo sem os dar,
Por ti foram confundidos
Num só. A escutar,
Por ti sentem e por ti respiram,
Mas a ti não se querem mostrar,
Pois por ti ainda deliram.
Se a ti mostro o gosto dos sentidos,
Que, crus, fazem engasgar,
Tu foges, pois, tolo, os vê despidos
De carne, e vestidos de pesar.
E por ti, que vê amor onde os olhos mentem,
Padeço no brilho fugaz de lamentar
A prepotência tua e dos que assim sentem.
Que, mesmo sem os dar,
Por ti foram confundidos
Num só. A escutar,
Por ti sentem e por ti respiram,
Mas a ti não se querem mostrar,
Pois por ti ainda deliram.
Se a ti mostro o gosto dos sentidos,
Que, crus, fazem engasgar,
Tu foges, pois, tolo, os vê despidos
De carne, e vestidos de pesar.
E por ti, que vê amor onde os olhos mentem,
Padeço no brilho fugaz de lamentar
A prepotência tua e dos que assim sentem.
De como me olha nos olhos
Teus olhos pretos, que, pretos, eles
Me pintam de escuro o coração,
De tanto querer que amor me tenham,
E de deles escutar somente não.
Outros olhos, que claros sejam, não quero,
Mas se pouco pretos são, mas
Algum azul me trazem, contentar-me podem,
Mas prostrar-me neles, não.
Só os negros, pretos quero que,
Em lhes mostrar por ora paixão,
E chamando delirante o que espero, ouso dizer:
Nunca hão de olhar-me com não.
Me pintam de escuro o coração,
De tanto querer que amor me tenham,
E de deles escutar somente não.
Outros olhos, que claros sejam, não quero,
Mas se pouco pretos são, mas
Algum azul me trazem, contentar-me podem,
Mas prostrar-me neles, não.
Só os negros, pretos quero que,
Em lhes mostrar por ora paixão,
E chamando delirante o que espero, ouso dizer:
Nunca hão de olhar-me com não.
sábado, 6 de junho de 2009
Eis a solução!
sexta-feira, 5 de junho de 2009
Anúncio
Procura-se amor eterno. Tenho, para dar em troca, amores vagos e vãs experiências. Não tenho pressa. Procuro amor impossível, não concretizado, pois se concretiza, deixa de ser impossível. Busco amor de almas, de outras vidas. Busco berço para um coração machucado, cansado dos joguinhos terrenos. Procuro Laurus e Atlas, todos juntos num ser só. Mas veja bem, não procuro ser algum. Procuro apenas amor eterno.
Procura-se amor que vive na saudade e não renuncia. Amor à distância que alimenta a fome do ser. Amor genuíno, sem a angústia da paixão, que traz perigos demais pra essa vida calejada.
Procura-se, enfim, acalento para um coração indeciso e, acima de tudo, desejoso.
Procura-se amor que vive na saudade e não renuncia. Amor à distância que alimenta a fome do ser. Amor genuíno, sem a angústia da paixão, que traz perigos demais pra essa vida calejada.
Procura-se, enfim, acalento para um coração indeciso e, acima de tudo, desejoso.
Dormindo com estranhos
Oi, você. Oi.
Como estamos hoje, Estranho?
Dormiu bem? Eu também. Que bom.
Gosto de você, sabe. Você também gosta de mim?
Que coisa boa de escutar!
Estranho, o que achou de acordar do meu lado?
Estranho.
Estranho, né, Estranho.
Vem cá, mais uma coisa eu tenho pra falar:
Você vem sempre aqui?
Como estamos hoje, Estranho?
Dormiu bem? Eu também. Que bom.
Gosto de você, sabe. Você também gosta de mim?
Que coisa boa de escutar!
Estranho, o que achou de acordar do meu lado?
Estranho.
Estranho, né, Estranho.
Vem cá, mais uma coisa eu tenho pra falar:
Você vem sempre aqui?
Dívidas
Escrevi um trecho agora. Não foi pra você, nem pra ninguém.
Não foi pra provar nada, mostrar nada. Foi só pra jogar. Jogar as coisas, sabe como é.
Tudo anda novo de novo. A gente (digo, eu) tem certa necessidade de desapego. Não desapego da forma literal, ainda que sim, mas é preciso deixar pra lá as coisas que a gente sente. Pensar, sentir, sentir muito, muito mesmo, e guardar num cantinho, só por uns tempinhos, pra descansar. Descansar de sentir. Eu tento fazer isso, tento sempre, tento muito. Não consigo. Desapego é uma palavra que meu dicionário não conhece. É tão difícil.
E eu sinto falta, sinto sempre. Sinto falta de umas coisas que eu mesma não consigo decifrar. Preciso talvez de ajuda, mas não gosto muito de procurar. Gosto das coisas assim achadas. Gosto do repente.
E é difícil não saber o que querer. Ai, tenho achado as coisas difíceis. Na verdade, achado não tenho nada.
Não gosto de falar difícil. Dificulta.
Sabe, mesmo que eu não tenha escrito nada pra você, nem pra ninguém, nem pra mim, eu insisto em lhe usar sempre como o meu ouvinte. É bom ter a sua imagem me escutando, assentindo tudo que eu falo. Assentir. Você assente da forma mais intransitiva que um verbo pode ser.
Você é um ouvinte silencioso. É bom quando aguentar críticas é difícil. Taí. Difícil de novo.
E é isso. Jogo as coisas pra fora, mas o sentimento fica sempre. E o sentimento é complicado, confuso, louco, louco, como tudo parece insistir em ser na minha vida. Eu reclamo mas, sabe, eu adoro uma loucura.
E eu aqui jogando as coisas, falo com você. Só que, estupidamente, insisto em dizer que escrevo pra mostrar que eu não devo nada a você, nem a ninguém.
Não foi pra provar nada, mostrar nada. Foi só pra jogar. Jogar as coisas, sabe como é.
Tudo anda novo de novo. A gente (digo, eu) tem certa necessidade de desapego. Não desapego da forma literal, ainda que sim, mas é preciso deixar pra lá as coisas que a gente sente. Pensar, sentir, sentir muito, muito mesmo, e guardar num cantinho, só por uns tempinhos, pra descansar. Descansar de sentir. Eu tento fazer isso, tento sempre, tento muito. Não consigo. Desapego é uma palavra que meu dicionário não conhece. É tão difícil.
E eu sinto falta, sinto sempre. Sinto falta de umas coisas que eu mesma não consigo decifrar. Preciso talvez de ajuda, mas não gosto muito de procurar. Gosto das coisas assim achadas. Gosto do repente.
E é difícil não saber o que querer. Ai, tenho achado as coisas difíceis. Na verdade, achado não tenho nada.
Não gosto de falar difícil. Dificulta.
Sabe, mesmo que eu não tenha escrito nada pra você, nem pra ninguém, nem pra mim, eu insisto em lhe usar sempre como o meu ouvinte. É bom ter a sua imagem me escutando, assentindo tudo que eu falo. Assentir. Você assente da forma mais intransitiva que um verbo pode ser.
Você é um ouvinte silencioso. É bom quando aguentar críticas é difícil. Taí. Difícil de novo.
E é isso. Jogo as coisas pra fora, mas o sentimento fica sempre. E o sentimento é complicado, confuso, louco, louco, como tudo parece insistir em ser na minha vida. Eu reclamo mas, sabe, eu adoro uma loucura.
E eu aqui jogando as coisas, falo com você. Só que, estupidamente, insisto em dizer que escrevo pra mostrar que eu não devo nada a você, nem a ninguém.
quinta-feira, 4 de junho de 2009
Resposta
Não tenho que ser desse jeito. Desse jeito assim que querem que eu seja. Não vejo mal nenhum em ser eu. Em me ser. Deixa acontecer assim, seja bom, seja ruim. Não quero ter que olhar tão pra frente, pra ver o que me acontece.
Que aconteça tudo do jeito que tem que ser. Quero ser, e ser, e só.
Que aconteça tudo do jeito que tem que ser. Quero ser, e ser, e só.
segunda-feira, 1 de junho de 2009
Livre livre
Livre é bom.
Não gosto de obrigação.
Rotina, preciso às vezes, mas não gosto dela não.
Ter alguém é gostoso, mas
Ser livre é bom.
Não gosto de obrigação.
Rotina, preciso às vezes, mas não gosto dela não.
Ter alguém é gostoso, mas
Ser livre é bom.
sexta-feira, 29 de maio de 2009
Muito prazer
Sou uma garota. Sou média, tenho cabelos castanhos e os olhos do mesmo jeito. Sou branca. Nasci branca e não pego muito sol. Isso não colabora muito para a formação de olheiras. Costumava culpar a minha mãe, por ter sido feita tão branca. Eu gosto de ser branca. Acho até que é elegante. Nasci branca, nasci menina.
Sempre gostei de culpar alguém. Deu errado, culpa dele. Deu certo, culpa dele também. Choveu, é culpa de alguém. Fui enganada, é culpa dele também. Acho que a transferência de culpa conforta. Tira um peso das costas. É verdade, nasci assim e podem culpar quem for por isso.
Vejo o mundo desse jeito. Meio torto, meio desvirtuado, mas belo. Acima de tudo belo. Penso que algumas coisas deram errado, mas isso, afinal, é culpa do Homem. Acho também culpa do Homem o fato de o plural ser masculino. Três meninas, um menino. Os meninos.
Não gosto de falar "acho". Acho insegurança. Acho pouca certeza de informação. Acho. Não, não acho. Penso, creio, acredito. Melhor assim. Afinal, penso que sou muito segura de mim, e é sim culpa de alguém o fato de eu duvidar grotescamente dessa informação.
Nasci meio médico, meio monstro. Gosto do obscuro, gosto do claro. Gosto muito da dicotomia. Vejo a dualidade com uma beleza fenomenal. As duas caras, o lado oposto, a bipolaridade.
Já tive problemas de relacionamentos. Acredito que terei pra sempre, mas no momento não tenho nenhum não. Que coisa mais monótona.
Minhas relações interpessoais sempre foram sinceras, ardentes. Gosto e gosto muito. Amo meus amigos. Eu nasci assim.
Meu irmão nasceu menino, eu, menina. Meu nome seria Mariana. Ou Gabriela. Nasci outra coisa. Meu irmão nasceu Gabriel. Minha vida poderia ter sido diferente se fosse Mariana. Ou Gabriela. Prefiro Maria, mas também gosto de Carolina.
Fiz certas escolhas. Podem não ter sido as melhores, mas não foram de todo ruim. Conheci gente nesse trajeto, desconheci e perdi gente também. Algumas não fazem falta, outras, daria o mundo pra ter de volta. Essas coisas a gente só dá valor quando perde, mas essa frase é um clichê. Não gosto de clichês. Minha vida é um grande clichê.
Minha vida é assim. Vai, vem. Nunca fica. Que bom. Nasci assim meio assado. Nasci menina. Vou morrer menina.
Sempre gostei de culpar alguém. Deu errado, culpa dele. Deu certo, culpa dele também. Choveu, é culpa de alguém. Fui enganada, é culpa dele também. Acho que a transferência de culpa conforta. Tira um peso das costas. É verdade, nasci assim e podem culpar quem for por isso.
Vejo o mundo desse jeito. Meio torto, meio desvirtuado, mas belo. Acima de tudo belo. Penso que algumas coisas deram errado, mas isso, afinal, é culpa do Homem. Acho também culpa do Homem o fato de o plural ser masculino. Três meninas, um menino. Os meninos.
Não gosto de falar "acho". Acho insegurança. Acho pouca certeza de informação. Acho. Não, não acho. Penso, creio, acredito. Melhor assim. Afinal, penso que sou muito segura de mim, e é sim culpa de alguém o fato de eu duvidar grotescamente dessa informação.
Nasci meio médico, meio monstro. Gosto do obscuro, gosto do claro. Gosto muito da dicotomia. Vejo a dualidade com uma beleza fenomenal. As duas caras, o lado oposto, a bipolaridade.
Já tive problemas de relacionamentos. Acredito que terei pra sempre, mas no momento não tenho nenhum não. Que coisa mais monótona.
Minhas relações interpessoais sempre foram sinceras, ardentes. Gosto e gosto muito. Amo meus amigos. Eu nasci assim.
Meu irmão nasceu menino, eu, menina. Meu nome seria Mariana. Ou Gabriela. Nasci outra coisa. Meu irmão nasceu Gabriel. Minha vida poderia ter sido diferente se fosse Mariana. Ou Gabriela. Prefiro Maria, mas também gosto de Carolina.
Fiz certas escolhas. Podem não ter sido as melhores, mas não foram de todo ruim. Conheci gente nesse trajeto, desconheci e perdi gente também. Algumas não fazem falta, outras, daria o mundo pra ter de volta. Essas coisas a gente só dá valor quando perde, mas essa frase é um clichê. Não gosto de clichês. Minha vida é um grande clichê.
Minha vida é assim. Vai, vem. Nunca fica. Que bom. Nasci assim meio assado. Nasci menina. Vou morrer menina.
Brinde
Aos grandes camaradas, um pouco de saudade! Desejo sempre ao mundo aquela simpatia energizante que entrego sempre tão de graça, que acho que às vezes deveria cobrar.
Um brinde aos que falam mal de mim! Sua lucidez me enobrece, meus caros. Inimigos, que venham. Acho que não tenho nenhum, mas certifico-me que adoro todos.
Amor, amor! Quem não precisa de um pouco de amor? Eu quero uma boa dose, copo cheio, por favor, de amor. Amor pra mim, pra você, pra ela. Amemo-nos todos! Desejo amor.
Amigos, meus amigos, eu amo vocês. Quero dar vocês ao mundo, de tão bons que são. Tão lindos, frios, quentes, dizimáveis, arrasadores. Quero vocês, quero sempre, quero muito.
Quero saudade de você que eu sinto tanto sempre todo dia toda hora.
Ai, simpatia melancólica que a gente dá de graça a cachaça só por hábito. De dar.
Toupeiras da minha vida, tão lindas e amarelas que espio da janela quando vão passar para dar um alou.
Alou alou, gente boa, tão boa gente que quero perto. Fiquem juntos, isso, junto de mim. Eu quero.
Ah, eu quero a saudade insalubre salutar que me assome e mata e ama e desfaz toda a simpatia angustiante.
Venham, amigos, inimigos, que vos amo tanto que quero gritar ao mundo só pra deixar escorrer um pouco de coisa boa pra quem precisa.
Vendo canções, um pouco ruins, mas caso queiram, cá estão. Canto a vida pra vocês que são a minha pura razão de existência. Existência de razão. Vocês, e um pouco de mim.
Até mais ver, meus caros.
Um brinde aos que falam mal de mim! Sua lucidez me enobrece, meus caros. Inimigos, que venham. Acho que não tenho nenhum, mas certifico-me que adoro todos.
Amor, amor! Quem não precisa de um pouco de amor? Eu quero uma boa dose, copo cheio, por favor, de amor. Amor pra mim, pra você, pra ela. Amemo-nos todos! Desejo amor.
Amigos, meus amigos, eu amo vocês. Quero dar vocês ao mundo, de tão bons que são. Tão lindos, frios, quentes, dizimáveis, arrasadores. Quero vocês, quero sempre, quero muito.
Quero saudade de você que eu sinto tanto sempre todo dia toda hora.
Ai, simpatia melancólica que a gente dá de graça a cachaça só por hábito. De dar.
Toupeiras da minha vida, tão lindas e amarelas que espio da janela quando vão passar para dar um alou.
Alou alou, gente boa, tão boa gente que quero perto. Fiquem juntos, isso, junto de mim. Eu quero.
Ah, eu quero a saudade insalubre salutar que me assome e mata e ama e desfaz toda a simpatia angustiante.
Venham, amigos, inimigos, que vos amo tanto que quero gritar ao mundo só pra deixar escorrer um pouco de coisa boa pra quem precisa.
Vendo canções, um pouco ruins, mas caso queiram, cá estão. Canto a vida pra vocês que são a minha pura razão de existência. Existência de razão. Vocês, e um pouco de mim.
Até mais ver, meus caros.
terça-feira, 26 de maio de 2009
Assim longe do chão
Me ensina a não ter os pés tão perto do chão. A viver a vida assim mais perto, mais perto de você e de mim.
Me diz quantas vidas tenho na mão: Se é pra ficar com o que vale a pena, prefiro ficar longe do não.
Me diz se pra voar alto tenho que seguir assim. Não lembro como faz.
A dor da saudade, que sente quem fica longe do querer, é doída, é sofrida. Eternidade transformada em perder.
Essa dor me traz tanta beleza, mas eu insisto em transformar em tristeza, que é muito mais bonita que você.
Me ensina a amar mais essas palavras que, caladas, dizem mais.
Quero sentir seu silêncio infame, doce; olhar que fala mais que mil bocas que gritam meu nome.
Prefiro assim, quieto, que sua voz, que é linda, mas que pode machucar.
Áspero e discreto flutua, sem pensar no porém, esquecendo de alguém que pode muito mais esperar.
Agora cala, não pensa.
Pensa só em mim... nos pés fora do chão e em mais ninguém.
Me diz quantas vidas tenho na mão: Se é pra ficar com o que vale a pena, prefiro ficar longe do não.
Me diz se pra voar alto tenho que seguir assim. Não lembro como faz.
A dor da saudade, que sente quem fica longe do querer, é doída, é sofrida. Eternidade transformada em perder.
Essa dor me traz tanta beleza, mas eu insisto em transformar em tristeza, que é muito mais bonita que você.
Me ensina a amar mais essas palavras que, caladas, dizem mais.
Quero sentir seu silêncio infame, doce; olhar que fala mais que mil bocas que gritam meu nome.
Prefiro assim, quieto, que sua voz, que é linda, mas que pode machucar.
Áspero e discreto flutua, sem pensar no porém, esquecendo de alguém que pode muito mais esperar.
Agora cala, não pensa.
Pensa só em mim... nos pés fora do chão e em mais ninguém.
Carta ao Não
Não,
Pára de sair da minha boca.
Ser sempre tão áspero, tão ríspido.
Pára de reprimir o que me é bom e existe.
Impossível ser pro bem, carrasco que não deixa sorrir.
Cuida do seu também, porque deve ser duro ser um Não, que desata e desfaz o que veio pro meu bem.
Ajuda quem precisa. Ajuda-me na verdade, que Não da minha boca só sai. Sai pro que quero e desquero.
Confusa, só peço uma coisa: pára de ser Não.
Pára de sair da minha boca.
Ser sempre tão áspero, tão ríspido.
Pára de reprimir o que me é bom e existe.
Impossível ser pro bem, carrasco que não deixa sorrir.
Cuida do seu também, porque deve ser duro ser um Não, que desata e desfaz o que veio pro meu bem.
Ajuda quem precisa. Ajuda-me na verdade, que Não da minha boca só sai. Sai pro que quero e desquero.
Confusa, só peço uma coisa: pára de ser Não.
segunda-feira, 25 de maio de 2009
Travado
Sossego, de onde vem?
Que não chega!
Não tem.
Preciso de um chamego,
meu preto, meu bem.
Acalma o desespero
carente, pueril.
Trabalho o desapego
No forro do puro gozo!
Primavera juvenil
trazendo a calmaria:
Me mascara a calma,
e tem a cara da minha alma.
Que não chega!
Não tem.
Preciso de um chamego,
meu preto, meu bem.
Acalma o desespero
carente, pueril.
Trabalho o desapego
No forro do puro gozo!
Primavera juvenil
trazendo a calmaria:
Me mascara a calma,
e tem a cara da minha alma.
Meu retrato de Laura
Laura é bonita,
diferente, latente.
sofre a vida assim sem menos,
vive como gente.
Sua boca é linda, vermelha, carnal.
Perde a inocência num desvio óbvio, obscuro, claro
numa noitezinha de carnaval.
Seu cabelo é louro,
quase louro.
Louro eu digo, mas que na verdade é escuro.
Escuros são os fios d'ouro.
O nome dela,
Laura, querida,
não nomeia.
Dá, mas dá, me dá,
nome de mentira que fica grudado aqui na cabeça
com os cabelos.
Fica preso no sonho que eu sonho todos os dias
com você.
Seu corpo é comprido e encomprida a compridância
de um abraço que marca,
que me protege.
É tão bom.
Meu desejo fica fechado,
trancado num segredo que não conto
não conto pra ninguém
pra ninguém saber que gosto tanto de Laura.
Pra não gostarem também.
A Laura dança,
sabe dançar,
mas perto dela, o samba fica mudo.
A nota de um samba só fica
triste, sozinha
notada, sambada,
mas só.
Só sem Laura.
E sem Laura, sozinho ou não, não vivo.
diferente, latente.
sofre a vida assim sem menos,
vive como gente.
Sua boca é linda, vermelha, carnal.
Perde a inocência num desvio óbvio, obscuro, claro
numa noitezinha de carnaval.
Seu cabelo é louro,
quase louro.
Louro eu digo, mas que na verdade é escuro.
Escuros são os fios d'ouro.
O nome dela,
Laura, querida,
não nomeia.
Dá, mas dá, me dá,
nome de mentira que fica grudado aqui na cabeça
com os cabelos.
Fica preso no sonho que eu sonho todos os dias
com você.
Seu corpo é comprido e encomprida a compridância
de um abraço que marca,
que me protege.
É tão bom.
Meu desejo fica fechado,
trancado num segredo que não conto
não conto pra ninguém
pra ninguém saber que gosto tanto de Laura.
Pra não gostarem também.
A Laura dança,
sabe dançar,
mas perto dela, o samba fica mudo.
A nota de um samba só fica
triste, sozinha
notada, sambada,
mas só.
Só sem Laura.
E sem Laura, sozinho ou não, não vivo.
domingo, 3 de maio de 2009
De lá de longe do mar
Longe de outros, eu te achei
Perto de mais outros, eu te perdi
Agora que me falta, não sei onde encontrar
Peço que me acalme
N'outro lugar
Chão que sai do piso
Fora do ar
Cais que desembarca
N'outro lugar
Barca solta que margeia
A vida sem par
E onde te acho, que já não sei procurar?
Sabe que não vivo tão longe do mar...
E ontem me achei,
Mas hoje perdi de novo...
E onde eu te encontro, se não posso mais chorar?
Onde desaprendi o choro,
Que vinha tão natural?
Onde perco as lágrimas,
Que já não quero limpar?
Perto de mais outros, eu te perdi
Agora que me falta, não sei onde encontrar
Peço que me acalme
N'outro lugar
Chão que sai do piso
Fora do ar
Cais que desembarca
N'outro lugar
Barca solta que margeia
A vida sem par
E onde te acho, que já não sei procurar?
Sabe que não vivo tão longe do mar...
E ontem me achei,
Mas hoje perdi de novo...
E onde eu te encontro, se não posso mais chorar?
Onde desaprendi o choro,
Que vinha tão natural?
Onde perco as lágrimas,
Que já não quero limpar?
quinta-feira, 30 de abril de 2009
Modus vivendi
Nasço às vezes desmedido
Frio, lento,
Comedido.
Acordo e peço pro tempo não correr tão rápido.
Pro tempo dar tempo de ter tempo.
Desperto, que é hoje,
Pro amanhã que não demora
Mas que avisa sem delongas
Que o fim já é agora.
Sete vezes peço
Aos que mais sabidos são
Não gosto de esperas longas
Mas careço dos pés no chão.
Seis vezes me negaram
E eu novamente acordei
Frio, lento,
Sem tempo para o tempo
E o que mo entregaram
Foi o pedido sétimo
Que sabiamente guardaram
Para lho usar
Quando a falta de tempo
Fosse maior
Que a desse meu ritmo
lento.
Frio, lento,
Comedido.
Acordo e peço pro tempo não correr tão rápido.
Pro tempo dar tempo de ter tempo.
Desperto, que é hoje,
Pro amanhã que não demora
Mas que avisa sem delongas
Que o fim já é agora.
Sete vezes peço
Aos que mais sabidos são
Não gosto de esperas longas
Mas careço dos pés no chão.
Seis vezes me negaram
E eu novamente acordei
Frio, lento,
Sem tempo para o tempo
E o que mo entregaram
Foi o pedido sétimo
Que sabiamente guardaram
Para lho usar
Quando a falta de tempo
Fosse maior
Que a desse meu ritmo
lento.
Pero de Andrade Caminha
Uns cabelos vi eu que embaraçados
Os olhos me deixaram, a luz perdida
Quase toda, e de todo alma vencida
E os pensamentos enlaçados.
Sem ordem, sem concerto derramados
Me tem desconcertada e triste a vida,
Tudo em mim tem vencido, arrependida
Nunca a alma já será destes cuidados.
Rodeados os vi de mil Amores,
E vi outros mil Amores escondidos,
Fazendo para as vidas muitos laços.
Quisera-me ocupar em seus louvores,
Faltaram-me as palavras, e os sentidos,
Tudo ali foram medos e embaraços.
Os olhos me deixaram, a luz perdida
Quase toda, e de todo alma vencida
E os pensamentos enlaçados.
Sem ordem, sem concerto derramados
Me tem desconcertada e triste a vida,
Tudo em mim tem vencido, arrependida
Nunca a alma já será destes cuidados.
Rodeados os vi de mil Amores,
E vi outros mil Amores escondidos,
Fazendo para as vidas muitos laços.
Quisera-me ocupar em seus louvores,
Faltaram-me as palavras, e os sentidos,
Tudo ali foram medos e embaraços.
Inimigo de mim
Vi um pedaço de caminho, que era tão calmo, e tão comprido, que nele resolvi entrar. Era uma fatia de vento bom, um amor que eu já conhecia de muito antes. O caminho era comprido e parecia nada a lugar nenhum ligar... nele fui mesmo assim.
Quando comecei a andar, me arrebatou uma vontade desenfreada de correr. De fugir. Senti tanto medo de perder, de perder não sei o quê, que corri, fugi. Voei por horas a fio, e o caminho nunca parecia terminar, não via fim naquela imensidão.
Às vezes a paisagem mudava um pouco, menos ou mais árvores, umas pedras aqui e acolá, uns arbustos floridos, uma montanha longíqua... Numas partes, tudo ficava mais escuro, e foi aí que comecei a me cansar.
Resolvi me sentar.
Achei uma pedra de tamanho médio, a mim cabia direitinho. Sentei para descansar. Tudo me pareceu escuro demais. Assomou-me um medo terrível e me pus a correr de novo. Parei. Era só um esquilo.
Resolvi parar de fugir. Fugir para quê, de quem?
Recomecei a andar, num passo lerdo, como quem passeia. Passei a observar melhor a vida em volta de mim. Era tudo tão bonito. Por quê então toda essa inquietude?
Avistei um fim. Era, se é que isso é possível, ainda mais lindo que o caminho que eu seguia. Havia feito as pazes comigo mesma: descobri que o medo que me assomava era de mim. Que de quem fugia, era de mim. Que nos tempos em que vivi em perigo, vivia assim por ser inimigo de mim.
Quando comecei a andar, me arrebatou uma vontade desenfreada de correr. De fugir. Senti tanto medo de perder, de perder não sei o quê, que corri, fugi. Voei por horas a fio, e o caminho nunca parecia terminar, não via fim naquela imensidão.
Às vezes a paisagem mudava um pouco, menos ou mais árvores, umas pedras aqui e acolá, uns arbustos floridos, uma montanha longíqua... Numas partes, tudo ficava mais escuro, e foi aí que comecei a me cansar.
Resolvi me sentar.
Achei uma pedra de tamanho médio, a mim cabia direitinho. Sentei para descansar. Tudo me pareceu escuro demais. Assomou-me um medo terrível e me pus a correr de novo. Parei. Era só um esquilo.
Resolvi parar de fugir. Fugir para quê, de quem?
Recomecei a andar, num passo lerdo, como quem passeia. Passei a observar melhor a vida em volta de mim. Era tudo tão bonito. Por quê então toda essa inquietude?
Avistei um fim. Era, se é que isso é possível, ainda mais lindo que o caminho que eu seguia. Havia feito as pazes comigo mesma: descobri que o medo que me assomava era de mim. Que de quem fugia, era de mim. Que nos tempos em que vivi em perigo, vivia assim por ser inimigo de mim.
Para M.
Queimado sejas tu e teus enganos,
Amor escandaloso, Amor cruel,
Queimadas tuas flechas, teu cordel,
E o arco com que fazes tantos danos.
Os teus prometimentos tão profanos,
E teus afagos mais doces que o mel,
Vejo-os eu todos, pois se tornam fel
No fogo em que queimas os humanos.
D. Manuel de Portugal
Amor escandaloso, Amor cruel,
Queimadas tuas flechas, teu cordel,
E o arco com que fazes tantos danos.
Os teus prometimentos tão profanos,
E teus afagos mais doces que o mel,
Vejo-os eu todos, pois se tornam fel
No fogo em que queimas os humanos.
D. Manuel de Portugal
domingo, 26 de abril de 2009
Dormidas e colchões
Ouvi falar a respeito de um sujeito que reclamava da empresa de colchões Ortobom, pois esta não queria trocar seu colchão, que estava comprovadamente danificado, pois o mesmo apresentava manchas, causadas, segundo o cliente insatisfeito, pela filha de 5 anos que havia urinado ao dormir. No fim da reclamação, o homem, parafraseando o slogan da companhia, diz que é um absurdo ele perder a garantia do seu produto (perda esta que ele entitulou, assim como a chamada de seu artigo, publicado em uma página de reclamações, de "Perda de garantia por urina"), já que passa-se 1/3 da vida dormindo, e ele não gostaria de passar 1/3 de sua vida dormindo em um colchão desconfortável.
Não que eu tenha me penalizado com a situação do sujeito, ou tenha recriminado a menina por ter feito pipi na cama do pai, ou queira me unir a ele em sua causa.
O que me encucou foi o fato de passarmos 1/3, aproximadamente, de nossas vidas dormindo! Céus, eu definitivamente preciso viver mais. E dormir menos.
Não que eu tenha me penalizado com a situação do sujeito, ou tenha recriminado a menina por ter feito pipi na cama do pai, ou queira me unir a ele em sua causa.
O que me encucou foi o fato de passarmos 1/3, aproximadamente, de nossas vidas dormindo! Céus, eu definitivamente preciso viver mais. E dormir menos.
Mulheres, socorro!!
Praia, mar, areia. Dia de sol. Biquini minúsculo, bunda gigante. Eis que tomo conhecimento da Mulher Caviar. Na mesma notícia, que tratava dos relacionamentos amorosos de Adriano, que se auto intitula, ou intitulava, Imperador, conheci a Mulher Moranguinho.
São tantos os apelidos carinhosos, que fiquei me sentindo, de certa forma, por fora da contemporaneidade, e resolvi pesquisar sobre os simpáticos nomes que as mulheres brasileiras recebem.
É impressionante como as pessoas tem criatividade para nomear os tipos de garotas. Fiquei abismada com a quantidade de categorias que criaram para subdividir o gênero feminino da espécie humana. E é mais impressionante ainda como os próprios exemplares da espécie adotam esses apelidos como nomes artísticos - ou, em alguns casos com interesses playboysísticos, nomes de guerra.
Claro que me deparei com uns mais batidos, aqueles que já passaram pelas revistas de moças nuas, como a Mulher Melancia, a Mulher Melão... Foi aí que eu descobri que além de melancia, melão e moranguinho, e, pasmem, pomar ("que é muito mais fruta") temos outras milhares de mulheres frutíferas e com codinomes que eu jamais pude imaginar o significado.
Pesquisando sobre estes nomes, me deparei com a enquete "Qual é o seu tipo?", que listava alguns desses apelidos. Foi aí que descobri que a mulher pão é aquela que tem sempre o mesmo gosto, mas ainda sim você come todo dia; que a mulher aperitivo é a que, acompanhada de uma bebida, você come e ainda acha bom; que a mulher maracujá é uma toda enrugada, mas que mesmo assim dá pro gasto; que a mulher lagosta é aquela que só come quem tem dinheiro e que a mulher salada é aquela que parece gostosa, mas na hora, nem tanto.
Entre esses, descobri a identidade da mulher Ford Maverick (antiga, já esteve na moda e bebe pra caramba), da mulher Coca 2 litros, que dá pra seis e da mulher Bandeira de Pirata, que é só pano e osso. Também conheci a mulher salaminho, que apresenta canelas com manchas senis (salve a criatividade!)
Experiência fantástica.
Acho que prefiro a época em que éramos, entre outras funções um pouco mais nobres, só objetos sexuais, cheios de glamour e sem apelidinhos apelativos.
São tantos os apelidos carinhosos, que fiquei me sentindo, de certa forma, por fora da contemporaneidade, e resolvi pesquisar sobre os simpáticos nomes que as mulheres brasileiras recebem.
É impressionante como as pessoas tem criatividade para nomear os tipos de garotas. Fiquei abismada com a quantidade de categorias que criaram para subdividir o gênero feminino da espécie humana. E é mais impressionante ainda como os próprios exemplares da espécie adotam esses apelidos como nomes artísticos - ou, em alguns casos com interesses playboysísticos, nomes de guerra.
Claro que me deparei com uns mais batidos, aqueles que já passaram pelas revistas de moças nuas, como a Mulher Melancia, a Mulher Melão... Foi aí que eu descobri que além de melancia, melão e moranguinho, e, pasmem, pomar ("que é muito mais fruta") temos outras milhares de mulheres frutíferas e com codinomes que eu jamais pude imaginar o significado.
Pesquisando sobre estes nomes, me deparei com a enquete "Qual é o seu tipo?", que listava alguns desses apelidos. Foi aí que descobri que a mulher pão é aquela que tem sempre o mesmo gosto, mas ainda sim você come todo dia; que a mulher aperitivo é a que, acompanhada de uma bebida, você come e ainda acha bom; que a mulher maracujá é uma toda enrugada, mas que mesmo assim dá pro gasto; que a mulher lagosta é aquela que só come quem tem dinheiro e que a mulher salada é aquela que parece gostosa, mas na hora, nem tanto.
Entre esses, descobri a identidade da mulher Ford Maverick (antiga, já esteve na moda e bebe pra caramba), da mulher Coca 2 litros, que dá pra seis e da mulher Bandeira de Pirata, que é só pano e osso. Também conheci a mulher salaminho, que apresenta canelas com manchas senis (salve a criatividade!)
Experiência fantástica.
Acho que prefiro a época em que éramos, entre outras funções um pouco mais nobres, só objetos sexuais, cheios de glamour e sem apelidinhos apelativos.
quinta-feira, 9 de abril de 2009
Devo?
Você que não enxerga; você que me enxerga tão de perto.
Seu jeito que é tão jeito de jeito de gente diferente de ter.
Sua boca que é só sua - ai se fosse só minha! - e tem jeito mesmo de ser só sua, mas que combina com a minha.
Sua mania de ficar na minha cabeça, forma física e sua de fazer as coisas.
Penso e penso tanto que matuto se estou sã agora ou não.
Sombra sua que me leva e me deixa e me muda de plano sem pedir permissão.
Devo?
(Quem mais quer saber se a esfera é terrestre ou não?)
Deixo do jeito, seu jeito, que é jeito e é bom, mas me mata.
Forma que é forma e é sua do jeito menino com a sua boca que tanto combina.
Seu jeito que é tão jeito de jeito de gente diferente de ter.
Sua boca que é só sua - ai se fosse só minha! - e tem jeito mesmo de ser só sua, mas que combina com a minha.
Sua mania de ficar na minha cabeça, forma física e sua de fazer as coisas.
Penso e penso tanto que matuto se estou sã agora ou não.
Sombra sua que me leva e me deixa e me muda de plano sem pedir permissão.
Devo?
(Quem mais quer saber se a esfera é terrestre ou não?)
Deixo do jeito, seu jeito, que é jeito e é bom, mas me mata.
Forma que é forma e é sua do jeito menino com a sua boca que tanto combina.
segunda-feira, 30 de março de 2009
Diálogos
Eu estava deitada na minha cama quando pensei nisso tudo. Não que isso seja algo muito incomum. Na verdade, quando me sobra tempo, eu tenho esse hábito - quase um talento - de deitar na cama, de barriga pra cima, e ficar pensando.
Não sou do tipo que dorme à toa, em qualquer lugar. Quando resolvo tirar um cochilo fora de hora (que pra mim se chama qualquer hora que não seja a hora de dormir de verdade), fico em um estado delicioso de torpor, numa vigília com hora marcada para acabar - salve a ansiedade! - que me trás imagens e constatações confortantes.
Voltando ao ponto anterior, confesso que é meio difícil esclarecer o que é de fato isso tudo que eu ando pensando. Eu sempre penso demais, numa velocidade assustadoramente rápida pro meu próprio bem. Pode, na verdade, ser um monte de nada, olhando a coisa por outro ângulo, mas desenvolver isso me faria perder o fio da meada, que já não tem o hábito de ser muito linear.
Ouvindo uma música gostosa, eu fui pensando em cada detalhezinho da vida. Fui pensando nos sorrisos amigos que eu conheço, das conversas que tive ultimamente, da alegria e tristeza genuina que me assome com a velocidade de um trem japonês, das coisas que eu aprendi, e até do que eu jantei ontem. É uma série de mini acontecimentos que dá cor aos meus dias.
Fui pensando... deixando a embriaguez da semi consciência me levar. E eu dormi.
Sonhei que eu deixava esse plano, mas continuava me vendo ali boba, deitada de barriga pra cima. Resolvi experimentar de fato o que é ir embora e me abandonei. Passeei por vários lugares estranhos, mas o que me marcou foi um campo, um tapete imenso de grama verde, que era tão lindo, tão verde, tão calmo, tão triste, que eu chorei.
E eu deitei na grama e comecei a pensar nas coisas que davam cor àquela minha vida. O tom da grama era tão forte que me ofuscou e eu não consegui mais sentir direito. Aí eu pensei nas coisas que eu amo e na simplicidade que é viver intensamente, mesmo que aos pouquinhos, pra não machucar tanto. Pensei em como sentir é bom.
Tive a oportunidade de me desapegar. Não quis.
Ali, no campo, fiquei mais uma vez entorpecida das minhas divagações que adormeci de novo e acordei na minha cama, na mesma posição da cama e da grama. Pesei se é melhor a calma, o mato verde tão bonito que entristece, ou viver nesse mundo de verdade que só é bonito se a gente quiser que seja.
Aí eu escolhi querer o mundo bonito do meu jeito. Minhas coisas, minhas gramas mal cortadas, minhas conversas, meus sorrisos lindos, minhas caras queridas e meus choros, que são palpáveis. Escolhi sentir na pele e aprender a dormir à tarde.
Não sou do tipo que dorme à toa, em qualquer lugar. Quando resolvo tirar um cochilo fora de hora (que pra mim se chama qualquer hora que não seja a hora de dormir de verdade), fico em um estado delicioso de torpor, numa vigília com hora marcada para acabar - salve a ansiedade! - que me trás imagens e constatações confortantes.
Voltando ao ponto anterior, confesso que é meio difícil esclarecer o que é de fato isso tudo que eu ando pensando. Eu sempre penso demais, numa velocidade assustadoramente rápida pro meu próprio bem. Pode, na verdade, ser um monte de nada, olhando a coisa por outro ângulo, mas desenvolver isso me faria perder o fio da meada, que já não tem o hábito de ser muito linear.
Ouvindo uma música gostosa, eu fui pensando em cada detalhezinho da vida. Fui pensando nos sorrisos amigos que eu conheço, das conversas que tive ultimamente, da alegria e tristeza genuina que me assome com a velocidade de um trem japonês, das coisas que eu aprendi, e até do que eu jantei ontem. É uma série de mini acontecimentos que dá cor aos meus dias.
Fui pensando... deixando a embriaguez da semi consciência me levar. E eu dormi.
Sonhei que eu deixava esse plano, mas continuava me vendo ali boba, deitada de barriga pra cima. Resolvi experimentar de fato o que é ir embora e me abandonei. Passeei por vários lugares estranhos, mas o que me marcou foi um campo, um tapete imenso de grama verde, que era tão lindo, tão verde, tão calmo, tão triste, que eu chorei.
E eu deitei na grama e comecei a pensar nas coisas que davam cor àquela minha vida. O tom da grama era tão forte que me ofuscou e eu não consegui mais sentir direito. Aí eu pensei nas coisas que eu amo e na simplicidade que é viver intensamente, mesmo que aos pouquinhos, pra não machucar tanto. Pensei em como sentir é bom.
Tive a oportunidade de me desapegar. Não quis.
Ali, no campo, fiquei mais uma vez entorpecida das minhas divagações que adormeci de novo e acordei na minha cama, na mesma posição da cama e da grama. Pesei se é melhor a calma, o mato verde tão bonito que entristece, ou viver nesse mundo de verdade que só é bonito se a gente quiser que seja.
Aí eu escolhi querer o mundo bonito do meu jeito. Minhas coisas, minhas gramas mal cortadas, minhas conversas, meus sorrisos lindos, minhas caras queridas e meus choros, que são palpáveis. Escolhi sentir na pele e aprender a dormir à tarde.
Sem título
Já faz tanto tempo que a gente não se vê. Tanto tempo que a gente não sorri junto. Às vezes, eu sinto a sua falta, assim, sem mais nem menos, sem motivo de verdade. Às vezes eu vejo uma coisa qualquer que me lembra você. Um cabelo parecido com o seu, uma folha voando. Não tem muita explicação; parece que o mundo ainda respira você.
Às vezes eu lembro das coisas todas que eu ainda ia conversar com você, que eu ia contar, que você ia viver. Eu estou vivendo, mas eu não posso mais conversar, nem contar, nem... eu tenho muito medo, sabia?
Eu sempre lembro da sua cara lisinha, do seu sorriso encantador, de quão divertido você é. Eu lembro de umas partes específicas. Eu lembro do seu tênis, eu lembro dos seus dentes, do seu nariz, das suas mãos.
Eu lamento que a gente tenha perdido tanto tempo com infantilidade. Eu podia ter aproveitado a sua companhia melhor. Podia ter olhado de mais perto, ao invés de ter estado tão longe.
A gente sempre foi próximo, do nosso jeito. Sempre esteve perto, distante ao mesmo tempo, mas sempre em sintonia, sempre concordando, sempre pensando junto.
E eu pensei tanto em você nesses dias. Eu sempre penso em você enquanto eu vivo. E eu sinto medo, eu tenho muito medo do tempo passar e eu esquecer como é o seu rosto inteiro. Não quero que as partes que eu lembro simplesmente desapareçam.
Mas você foi embora sem se despedir.
Às vezes eu lembro das coisas todas que eu ainda ia conversar com você, que eu ia contar, que você ia viver. Eu estou vivendo, mas eu não posso mais conversar, nem contar, nem... eu tenho muito medo, sabia?
Eu sempre lembro da sua cara lisinha, do seu sorriso encantador, de quão divertido você é. Eu lembro de umas partes específicas. Eu lembro do seu tênis, eu lembro dos seus dentes, do seu nariz, das suas mãos.
Eu lamento que a gente tenha perdido tanto tempo com infantilidade. Eu podia ter aproveitado a sua companhia melhor. Podia ter olhado de mais perto, ao invés de ter estado tão longe.
A gente sempre foi próximo, do nosso jeito. Sempre esteve perto, distante ao mesmo tempo, mas sempre em sintonia, sempre concordando, sempre pensando junto.
E eu pensei tanto em você nesses dias. Eu sempre penso em você enquanto eu vivo. E eu sinto medo, eu tenho muito medo do tempo passar e eu esquecer como é o seu rosto inteiro. Não quero que as partes que eu lembro simplesmente desapareçam.
Mas você foi embora sem se despedir.
terça-feira, 24 de março de 2009
Um ensaio
De acordo com as normas naturais da espécie humana, o corpo cresce em ritmo de progressão. Espera-se que o mesmo aconteça com nossas mentes, de forma que no auge da vida alcancemos a maturidade suprema e nas extremidades anterior e posterior a isso, nós sejamos ingênuos como crianças.
Pois bem.
Essa história de maturidade, é, porém, um pouco subjetiva. O que é isso afinal e de que raios se fala tanto por aí?
- Por partes, por favor.
Amor, vamos lá. Maturidade no amor. Seria isso então a capacidade de se estabelecer, levar um relacionamento à sério, o desejo de união entre duas vidas, formar uma família... (?) ou quem sabe, crer que o amor já não existe? O fato de já se estar tão calejada das relações interpessoais mundanas às vezes no leva à isso. É como ter um colete à prova de amores, paixões, paixonites e tudo que isso envolve.
Confesso que não tenho a menor idéia do que é ser maduro nessa relação de sentimentos. Há de se pensar que essa é aquela pessoa que não dá escandalosos ataques de ciúmes, se vinga das maneiras mais xulas e infantis, enfim, é centrado. É bom ser assim, racional? Não poderia ser melhor ser genuinamente passional?
A verdade é que não sei o que é melhor.
Pensando bem, não tenho o mínimo interesse em saber o que é melhor. Quem disse que tem uma opção melhor?
Se sou a prova de amor, não me machuco. Se fico à mercê dele, acabo que dilacerando um dia desses.
Será que tenho mesmo que escolher uma das opções?
Acho que fico com... acho que prefiro me machucar, mesmo que não seja de fato o melhor. Me machucar várias e várias vezes, se for pra amar e ser feliz por várias e várias vezes. Não preciso de pressa, nem que ninguém me convença que é preciso ter pressa, pra organizar uma vida. Aliás, quem disse que eu quero organizar uma vida? É tão bom viver desse jeito, deixando as coisas seguirem seu curso natural, sem planos homéricos crescendo em ritmo de progressão. E... quem já não enlouqueceu de paixão? Faz parte da nossa essência.
O importante mesmo é fazer tudo com amor. Com um monte dele.
Pois bem.
Essa história de maturidade, é, porém, um pouco subjetiva. O que é isso afinal e de que raios se fala tanto por aí?
- Por partes, por favor.
Amor, vamos lá. Maturidade no amor. Seria isso então a capacidade de se estabelecer, levar um relacionamento à sério, o desejo de união entre duas vidas, formar uma família... (?) ou quem sabe, crer que o amor já não existe? O fato de já se estar tão calejada das relações interpessoais mundanas às vezes no leva à isso. É como ter um colete à prova de amores, paixões, paixonites e tudo que isso envolve.
Confesso que não tenho a menor idéia do que é ser maduro nessa relação de sentimentos. Há de se pensar que essa é aquela pessoa que não dá escandalosos ataques de ciúmes, se vinga das maneiras mais xulas e infantis, enfim, é centrado. É bom ser assim, racional? Não poderia ser melhor ser genuinamente passional?
A verdade é que não sei o que é melhor.
Pensando bem, não tenho o mínimo interesse em saber o que é melhor. Quem disse que tem uma opção melhor?
Se sou a prova de amor, não me machuco. Se fico à mercê dele, acabo que dilacerando um dia desses.
Será que tenho mesmo que escolher uma das opções?
Acho que fico com... acho que prefiro me machucar, mesmo que não seja de fato o melhor. Me machucar várias e várias vezes, se for pra amar e ser feliz por várias e várias vezes. Não preciso de pressa, nem que ninguém me convença que é preciso ter pressa, pra organizar uma vida. Aliás, quem disse que eu quero organizar uma vida? É tão bom viver desse jeito, deixando as coisas seguirem seu curso natural, sem planos homéricos crescendo em ritmo de progressão. E... quem já não enlouqueceu de paixão? Faz parte da nossa essência.
O importante mesmo é fazer tudo com amor. Com um monte dele.
segunda-feira, 23 de março de 2009
Roteiro de viagem
Hoje eu sonhei assim:
Saí de casa. Que facilidade mais complicada. Foram uns três dias desesperados de malas, lembretes, baterias e escovas de dentes, cálculos homéricos que relacionam número de pares de sapatos à graus negativos de temperatura, desculpas esfarrapadas para todo tipo, espécie e gênero de situação, saídas esporádicas de casa com o objetivo óbvio de evitar todo o trabalho que é de fato arrumar uma mala de vida e uns maços extra de Marlboro Lights.
Tenho medo de avião, acho melhor dormir.
Frontal?
- Obrigada.
Acordei tomando remédio para dormir, vê se pode.
Saí de casa. Que facilidade mais complicada. Foram uns três dias desesperados de malas, lembretes, baterias e escovas de dentes, cálculos homéricos que relacionam número de pares de sapatos à graus negativos de temperatura, desculpas esfarrapadas para todo tipo, espécie e gênero de situação, saídas esporádicas de casa com o objetivo óbvio de evitar todo o trabalho que é de fato arrumar uma mala de vida e uns maços extra de Marlboro Lights.
Tenho medo de avião, acho melhor dormir.
Frontal?
- Obrigada.
Acordei tomando remédio para dormir, vê se pode.
Zungenbrecher #2
Schnellsprechsprüche spreche ich schwer schnell.
Flankenkicker Flick kickt flinke Flanken. Flinke Flanken kickt Flankenkicker Flick.
Klaus Knopf liebt Knödel, Klösse, Klöpse. Knödel, Klösse, Klöpse liebt Klaus Knopf.
Die Bürsten mit den schwarzen Borsten bürsten besser als die Bürsten mit den weissen Borsten Bürste!
Wenn der Benz bremst, brennt das Benz-Bremslicht. Das Benz-Bremslicht brennt, wenn der Benz bremst.
Es klapperten die Klapperschlangen bis ihre Klappern schlapper klangen.
Der Zahnarzt zieht Zähne mit Zahnarztzange im Zahnarztzimmer.
Fischers Fritze fischte frische Fische, frische Fische fischt Fischers Fritze.
Flankenkicker Flick kickt flinke Flanken. Flinke Flanken kickt Flankenkicker Flick.
Klaus Knopf liebt Knödel, Klösse, Klöpse. Knödel, Klösse, Klöpse liebt Klaus Knopf.
Die Bürsten mit den schwarzen Borsten bürsten besser als die Bürsten mit den weissen Borsten Bürste!
Wenn der Benz bremst, brennt das Benz-Bremslicht. Das Benz-Bremslicht brennt, wenn der Benz bremst.
Es klapperten die Klapperschlangen bis ihre Klappern schlapper klangen.
Der Zahnarzt zieht Zähne mit Zahnarztzange im Zahnarztzimmer.
Fischers Fritze fischte frische Fische, frische Fische fischt Fischers Fritze.
De cor e salteado
De diálogos e insinuações genuinamente pueris, surgiu um atestado (já testado). Quem diria que de tanta lamúria, tanta vida já vivida, o seu deus laureado fosse surgir exatamente... agora?
Foi como se a mão de Apolo tivesse tocado seu rosto e a feito abrir os olhos para a realidade: era realmente isso que acontecia, um homem em toda sua integridade física.
Ele veio, ficou, gostou, amou, usou, se foi, voltou, desapareceu.
E a pobre moça sentou-se novamente na sua sacada e olhou a vida passar, com mais insinuações pueris e as lamentações empíricas
Foi como se a mão de Apolo tivesse tocado seu rosto e a feito abrir os olhos para a realidade: era realmente isso que acontecia, um homem em toda sua integridade física.
Ele veio, ficou, gostou, amou, usou, se foi, voltou, desapareceu.
E a pobre moça sentou-se novamente na sua sacada e olhou a vida passar, com mais insinuações pueris e as lamentações empíricas
segunda-feira, 16 de março de 2009
Amor de folião em duas partes
Cacos, os sapatos. É o resto do que me sobra. Um cheiro, um ombro, uma listra. Ficou tudo pra você.
A lantejoula, como chama mesmo? ah! o confete. A calçada confeitada de cores e amores.
Umas penas rosas. Uma marchinha encantadora, a água da chuva. A volta que o tempo dá trazendo tudo assim por inteiro. Me dando tudo de volta (só que tenho tudo assim meio sem ter) ...
Uma vozinha doce. É mesmo encantador.
O sorriso cínico, ah, que melancolia! É carnaval!
A batida gostosa da Camélia, a tristeza infiel e cretina daquele olhar. Conhecemos bem.
Depois vem a euforia, as juras desprometidas, o mesmo olhar desleal e tão sincero, a cor brotando do verde.
E o novo. O novo é simplesmente maravilhoso.
A alegria do folião retalhada numas duas pinceladas. Tinta que reata, desarma e depois... o depois a gente esquece.
A lantejoula, como chama mesmo? ah! o confete. A calçada confeitada de cores e amores.
Umas penas rosas. Uma marchinha encantadora, a água da chuva. A volta que o tempo dá trazendo tudo assim por inteiro. Me dando tudo de volta (só que tenho tudo assim meio sem ter) ...
Uma vozinha doce. É mesmo encantador.
O sorriso cínico, ah, que melancolia! É carnaval!
A batida gostosa da Camélia, a tristeza infiel e cretina daquele olhar. Conhecemos bem.
Depois vem a euforia, as juras desprometidas, o mesmo olhar desleal e tão sincero, a cor brotando do verde.
E o novo. O novo é simplesmente maravilhoso.
A alegria do folião retalhada numas duas pinceladas. Tinta que reata, desarma e depois... o depois a gente esquece.
Enlouqüencia
Pobre é aquele que não ama.
Que não deseja.
Não sente falta.
Não enlouquece.
Sofre aquele que ama.
Que deseja.
Que sente falta.
Que enlouquece.
Feliz é aquele que ama.
Que deseja.
Que sente falta.
Que enlouquece.
Triste também é aquele que ama.
Que deseja.
Que sente falta.
E que enlouquece.
09.setembro.2006
Que não deseja.
Não sente falta.
Não enlouquece.
Sofre aquele que ama.
Que deseja.
Que sente falta.
Que enlouquece.
Feliz é aquele que ama.
Que deseja.
Que sente falta.
Que enlouquece.
Triste também é aquele que ama.
Que deseja.
Que sente falta.
E que enlouquece.
09.setembro.2006
Dicotomia da personalidade
Tão falsamente transparente.
Interiormente inexpressível.
Pura e incerta, é desonesta comigo.
Transparece facilidade, mas é difícil por dentro.
É complicada demais, mas a essência é simples.
Sou um traço fino, uma confusão sem tamanho.
Como um precipício, amo e odeio, quero e esqueço.
Desejo o mundo e desquero no mesmo instante.
Detesto a inconstância, mas não posso viver sem ela.
Bibliográfico.
Hemorragia interna, inchaço.
Sofro e vivo.
Alegra quando está livre.
Estou livre.
Eu sou.
Ela é.
Nós somos.
E isso basta.
21.agosto.2008
Interiormente inexpressível.
Pura e incerta, é desonesta comigo.
Transparece facilidade, mas é difícil por dentro.
É complicada demais, mas a essência é simples.
Sou um traço fino, uma confusão sem tamanho.
Como um precipício, amo e odeio, quero e esqueço.
Desejo o mundo e desquero no mesmo instante.
Detesto a inconstância, mas não posso viver sem ela.
Bibliográfico.
Hemorragia interna, inchaço.
Sofro e vivo.
Alegra quando está livre.
Estou livre.
Eu sou.
Ela é.
Nós somos.
E isso basta.
21.agosto.2008
domingo, 15 de março de 2009
Ao que interessa
Já disseram por aí que eu tô fora. Que eu, que você, que ninguém presta. Que a vida é uma piada. Que esperar é a maior roubada. Que de graça, até injeção na testa.
Dizem por aí que bom mesmo é não fazer nada, que quarta feira é dia de festa.
Olha, já até me falaram que dois e dois são cinco, que a tábua é de tiro ao Álvaro. Ao Álvaro, veja bem.
Voltando ao que interessa...
Me contaram por aí que o mundo me pertence. Que eles são gente que nem a gente. Que nós somos o futuro da humanidade. Que tem gente, olha, que já influencia com essa idade.
Que a geração de hoje é perdida. Que você joga fora pro outro lutar por um prato de comida. Que a esperança está no pão que o diabo amassou... No pé que você cuspiu.
Já me disseram tanta coisa que me confundo. Ai, ando perdida pro mundo.
Mas afinal, quem liga?
Ele pode até dizer... mas já não me interessa.
Dizem por aí que bom mesmo é não fazer nada, que quarta feira é dia de festa.
Olha, já até me falaram que dois e dois são cinco, que a tábua é de tiro ao Álvaro. Ao Álvaro, veja bem.
Voltando ao que interessa...
Me contaram por aí que o mundo me pertence. Que eles são gente que nem a gente. Que nós somos o futuro da humanidade. Que tem gente, olha, que já influencia com essa idade.
Que a geração de hoje é perdida. Que você joga fora pro outro lutar por um prato de comida. Que a esperança está no pão que o diabo amassou... No pé que você cuspiu.
Já me disseram tanta coisa que me confundo. Ai, ando perdida pro mundo.
Mas afinal, quem liga?
Ele pode até dizer... mas já não me interessa.
Entendendo o mundo com uns braços
Pensando nos orgãos e membros que a união dos poderes dos meus pais me deu, considero o que me é realmente necessário. Bem, tenho dois olhos, um nariz, pernas, braços, órgãos vitais... Respiro bem com meu nariz, pulmão e uns brônquios. Apesar de não 100%, posso enxergar decentemente com meus dois olhos marrons. Meus rins não são lá uma maravilha, mas pelo menos tenho dois para garantir. Minhas pernas, ó, essenciais. Sem elas a vida me seria mais devagar.
Talvez um coração a mais me serviria. O meu sozinho nem sempre dá conta de todo o trabalho. Sem um braço, viveria, mas os dois me tornam a vida muito mais simples.
Parando nessa questão dos braços, penso novamente. Tenho os meus, que executam minhas tarefas mundanas. Eu pego coisas, coço as costas, danço, os alongo. Mas tenho outros, muito mais especiais, que me ajudam a entender e a amar essas coisas que são essencialmente humanas.
Talvez um coração a mais me serviria. O meu sozinho nem sempre dá conta de todo o trabalho. Sem um braço, viveria, mas os dois me tornam a vida muito mais simples.
Parando nessa questão dos braços, penso novamente. Tenho os meus, que executam minhas tarefas mundanas. Eu pego coisas, coço as costas, danço, os alongo. Mas tenho outros, muito mais especiais, que me ajudam a entender e a amar essas coisas que são essencialmente humanas.
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