Nasço às vezes desmedido
Frio, lento,
Comedido.
Acordo e peço pro tempo não correr tão rápido.
Pro tempo dar tempo de ter tempo.
Desperto, que é hoje,
Pro amanhã que não demora
Mas que avisa sem delongas
Que o fim já é agora.
Sete vezes peço
Aos que mais sabidos são
Não gosto de esperas longas
Mas careço dos pés no chão.
Seis vezes me negaram
E eu novamente acordei
Frio, lento,
Sem tempo para o tempo
E o que mo entregaram
Foi o pedido sétimo
Que sabiamente guardaram
Para lho usar
Quando a falta de tempo
Fosse maior
Que a desse meu ritmo
lento.
quinta-feira, 30 de abril de 2009
Pero de Andrade Caminha
Uns cabelos vi eu que embaraçados
Os olhos me deixaram, a luz perdida
Quase toda, e de todo alma vencida
E os pensamentos enlaçados.
Sem ordem, sem concerto derramados
Me tem desconcertada e triste a vida,
Tudo em mim tem vencido, arrependida
Nunca a alma já será destes cuidados.
Rodeados os vi de mil Amores,
E vi outros mil Amores escondidos,
Fazendo para as vidas muitos laços.
Quisera-me ocupar em seus louvores,
Faltaram-me as palavras, e os sentidos,
Tudo ali foram medos e embaraços.
Os olhos me deixaram, a luz perdida
Quase toda, e de todo alma vencida
E os pensamentos enlaçados.
Sem ordem, sem concerto derramados
Me tem desconcertada e triste a vida,
Tudo em mim tem vencido, arrependida
Nunca a alma já será destes cuidados.
Rodeados os vi de mil Amores,
E vi outros mil Amores escondidos,
Fazendo para as vidas muitos laços.
Quisera-me ocupar em seus louvores,
Faltaram-me as palavras, e os sentidos,
Tudo ali foram medos e embaraços.
Inimigo de mim
Vi um pedaço de caminho, que era tão calmo, e tão comprido, que nele resolvi entrar. Era uma fatia de vento bom, um amor que eu já conhecia de muito antes. O caminho era comprido e parecia nada a lugar nenhum ligar... nele fui mesmo assim.
Quando comecei a andar, me arrebatou uma vontade desenfreada de correr. De fugir. Senti tanto medo de perder, de perder não sei o quê, que corri, fugi. Voei por horas a fio, e o caminho nunca parecia terminar, não via fim naquela imensidão.
Às vezes a paisagem mudava um pouco, menos ou mais árvores, umas pedras aqui e acolá, uns arbustos floridos, uma montanha longíqua... Numas partes, tudo ficava mais escuro, e foi aí que comecei a me cansar.
Resolvi me sentar.
Achei uma pedra de tamanho médio, a mim cabia direitinho. Sentei para descansar. Tudo me pareceu escuro demais. Assomou-me um medo terrível e me pus a correr de novo. Parei. Era só um esquilo.
Resolvi parar de fugir. Fugir para quê, de quem?
Recomecei a andar, num passo lerdo, como quem passeia. Passei a observar melhor a vida em volta de mim. Era tudo tão bonito. Por quê então toda essa inquietude?
Avistei um fim. Era, se é que isso é possível, ainda mais lindo que o caminho que eu seguia. Havia feito as pazes comigo mesma: descobri que o medo que me assomava era de mim. Que de quem fugia, era de mim. Que nos tempos em que vivi em perigo, vivia assim por ser inimigo de mim.
Quando comecei a andar, me arrebatou uma vontade desenfreada de correr. De fugir. Senti tanto medo de perder, de perder não sei o quê, que corri, fugi. Voei por horas a fio, e o caminho nunca parecia terminar, não via fim naquela imensidão.
Às vezes a paisagem mudava um pouco, menos ou mais árvores, umas pedras aqui e acolá, uns arbustos floridos, uma montanha longíqua... Numas partes, tudo ficava mais escuro, e foi aí que comecei a me cansar.
Resolvi me sentar.
Achei uma pedra de tamanho médio, a mim cabia direitinho. Sentei para descansar. Tudo me pareceu escuro demais. Assomou-me um medo terrível e me pus a correr de novo. Parei. Era só um esquilo.
Resolvi parar de fugir. Fugir para quê, de quem?
Recomecei a andar, num passo lerdo, como quem passeia. Passei a observar melhor a vida em volta de mim. Era tudo tão bonito. Por quê então toda essa inquietude?
Avistei um fim. Era, se é que isso é possível, ainda mais lindo que o caminho que eu seguia. Havia feito as pazes comigo mesma: descobri que o medo que me assomava era de mim. Que de quem fugia, era de mim. Que nos tempos em que vivi em perigo, vivia assim por ser inimigo de mim.
Para M.
Queimado sejas tu e teus enganos,
Amor escandaloso, Amor cruel,
Queimadas tuas flechas, teu cordel,
E o arco com que fazes tantos danos.
Os teus prometimentos tão profanos,
E teus afagos mais doces que o mel,
Vejo-os eu todos, pois se tornam fel
No fogo em que queimas os humanos.
D. Manuel de Portugal
Amor escandaloso, Amor cruel,
Queimadas tuas flechas, teu cordel,
E o arco com que fazes tantos danos.
Os teus prometimentos tão profanos,
E teus afagos mais doces que o mel,
Vejo-os eu todos, pois se tornam fel
No fogo em que queimas os humanos.
D. Manuel de Portugal
domingo, 26 de abril de 2009
Dormidas e colchões
Ouvi falar a respeito de um sujeito que reclamava da empresa de colchões Ortobom, pois esta não queria trocar seu colchão, que estava comprovadamente danificado, pois o mesmo apresentava manchas, causadas, segundo o cliente insatisfeito, pela filha de 5 anos que havia urinado ao dormir. No fim da reclamação, o homem, parafraseando o slogan da companhia, diz que é um absurdo ele perder a garantia do seu produto (perda esta que ele entitulou, assim como a chamada de seu artigo, publicado em uma página de reclamações, de "Perda de garantia por urina"), já que passa-se 1/3 da vida dormindo, e ele não gostaria de passar 1/3 de sua vida dormindo em um colchão desconfortável.
Não que eu tenha me penalizado com a situação do sujeito, ou tenha recriminado a menina por ter feito pipi na cama do pai, ou queira me unir a ele em sua causa.
O que me encucou foi o fato de passarmos 1/3, aproximadamente, de nossas vidas dormindo! Céus, eu definitivamente preciso viver mais. E dormir menos.
Não que eu tenha me penalizado com a situação do sujeito, ou tenha recriminado a menina por ter feito pipi na cama do pai, ou queira me unir a ele em sua causa.
O que me encucou foi o fato de passarmos 1/3, aproximadamente, de nossas vidas dormindo! Céus, eu definitivamente preciso viver mais. E dormir menos.
Mulheres, socorro!!
Praia, mar, areia. Dia de sol. Biquini minúsculo, bunda gigante. Eis que tomo conhecimento da Mulher Caviar. Na mesma notícia, que tratava dos relacionamentos amorosos de Adriano, que se auto intitula, ou intitulava, Imperador, conheci a Mulher Moranguinho.
São tantos os apelidos carinhosos, que fiquei me sentindo, de certa forma, por fora da contemporaneidade, e resolvi pesquisar sobre os simpáticos nomes que as mulheres brasileiras recebem.
É impressionante como as pessoas tem criatividade para nomear os tipos de garotas. Fiquei abismada com a quantidade de categorias que criaram para subdividir o gênero feminino da espécie humana. E é mais impressionante ainda como os próprios exemplares da espécie adotam esses apelidos como nomes artísticos - ou, em alguns casos com interesses playboysísticos, nomes de guerra.
Claro que me deparei com uns mais batidos, aqueles que já passaram pelas revistas de moças nuas, como a Mulher Melancia, a Mulher Melão... Foi aí que eu descobri que além de melancia, melão e moranguinho, e, pasmem, pomar ("que é muito mais fruta") temos outras milhares de mulheres frutíferas e com codinomes que eu jamais pude imaginar o significado.
Pesquisando sobre estes nomes, me deparei com a enquete "Qual é o seu tipo?", que listava alguns desses apelidos. Foi aí que descobri que a mulher pão é aquela que tem sempre o mesmo gosto, mas ainda sim você come todo dia; que a mulher aperitivo é a que, acompanhada de uma bebida, você come e ainda acha bom; que a mulher maracujá é uma toda enrugada, mas que mesmo assim dá pro gasto; que a mulher lagosta é aquela que só come quem tem dinheiro e que a mulher salada é aquela que parece gostosa, mas na hora, nem tanto.
Entre esses, descobri a identidade da mulher Ford Maverick (antiga, já esteve na moda e bebe pra caramba), da mulher Coca 2 litros, que dá pra seis e da mulher Bandeira de Pirata, que é só pano e osso. Também conheci a mulher salaminho, que apresenta canelas com manchas senis (salve a criatividade!)
Experiência fantástica.
Acho que prefiro a época em que éramos, entre outras funções um pouco mais nobres, só objetos sexuais, cheios de glamour e sem apelidinhos apelativos.
São tantos os apelidos carinhosos, que fiquei me sentindo, de certa forma, por fora da contemporaneidade, e resolvi pesquisar sobre os simpáticos nomes que as mulheres brasileiras recebem.
É impressionante como as pessoas tem criatividade para nomear os tipos de garotas. Fiquei abismada com a quantidade de categorias que criaram para subdividir o gênero feminino da espécie humana. E é mais impressionante ainda como os próprios exemplares da espécie adotam esses apelidos como nomes artísticos - ou, em alguns casos com interesses playboysísticos, nomes de guerra.
Claro que me deparei com uns mais batidos, aqueles que já passaram pelas revistas de moças nuas, como a Mulher Melancia, a Mulher Melão... Foi aí que eu descobri que além de melancia, melão e moranguinho, e, pasmem, pomar ("que é muito mais fruta") temos outras milhares de mulheres frutíferas e com codinomes que eu jamais pude imaginar o significado.
Pesquisando sobre estes nomes, me deparei com a enquete "Qual é o seu tipo?", que listava alguns desses apelidos. Foi aí que descobri que a mulher pão é aquela que tem sempre o mesmo gosto, mas ainda sim você come todo dia; que a mulher aperitivo é a que, acompanhada de uma bebida, você come e ainda acha bom; que a mulher maracujá é uma toda enrugada, mas que mesmo assim dá pro gasto; que a mulher lagosta é aquela que só come quem tem dinheiro e que a mulher salada é aquela que parece gostosa, mas na hora, nem tanto.
Entre esses, descobri a identidade da mulher Ford Maverick (antiga, já esteve na moda e bebe pra caramba), da mulher Coca 2 litros, que dá pra seis e da mulher Bandeira de Pirata, que é só pano e osso. Também conheci a mulher salaminho, que apresenta canelas com manchas senis (salve a criatividade!)
Experiência fantástica.
Acho que prefiro a época em que éramos, entre outras funções um pouco mais nobres, só objetos sexuais, cheios de glamour e sem apelidinhos apelativos.
quinta-feira, 9 de abril de 2009
Devo?
Você que não enxerga; você que me enxerga tão de perto.
Seu jeito que é tão jeito de jeito de gente diferente de ter.
Sua boca que é só sua - ai se fosse só minha! - e tem jeito mesmo de ser só sua, mas que combina com a minha.
Sua mania de ficar na minha cabeça, forma física e sua de fazer as coisas.
Penso e penso tanto que matuto se estou sã agora ou não.
Sombra sua que me leva e me deixa e me muda de plano sem pedir permissão.
Devo?
(Quem mais quer saber se a esfera é terrestre ou não?)
Deixo do jeito, seu jeito, que é jeito e é bom, mas me mata.
Forma que é forma e é sua do jeito menino com a sua boca que tanto combina.
Seu jeito que é tão jeito de jeito de gente diferente de ter.
Sua boca que é só sua - ai se fosse só minha! - e tem jeito mesmo de ser só sua, mas que combina com a minha.
Sua mania de ficar na minha cabeça, forma física e sua de fazer as coisas.
Penso e penso tanto que matuto se estou sã agora ou não.
Sombra sua que me leva e me deixa e me muda de plano sem pedir permissão.
Devo?
(Quem mais quer saber se a esfera é terrestre ou não?)
Deixo do jeito, seu jeito, que é jeito e é bom, mas me mata.
Forma que é forma e é sua do jeito menino com a sua boca que tanto combina.
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