Impressiona a vontade do ser humano que, em existir, gosta do sofrer. E me envergonha, de certa forma, a forma com que um mínimo desgosto distrai e que, com gosto, faz questão em existir. O mal entretém, pois é.
A fortuna mora ao lado, ouço dizer, mas ninguém é capaz de tocar no vizinho num mero intuito de pedir uma xícara de açúcar sequer. E, olha, me estranha a falta de jeito, em partes inteira, saber que o sofrimento do outros dói tão pouco que a gente só é capaz de insistir em mandar passar e dizer "vai ficar tudo bem, eu garanto". Garante nada.
"Logo passa", dizem aos que sofrem, mas quando o mesmo dizem a mim, não me passa mais nada à cabeça que não atirar a tal xícara de açúcar na cara de alguém.
E dos mais devaneios e pensamentos longe de lineares, me pergunto somente: o homem faz parte do sofrer ou o sofrer é parte vital da essência do homem?
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
Ao ano que vai, deixo somente as boas lembranças. Saudades não. Pesares não. As incertezas, junto das mais tímidas certezas, carrego comigo sempre. Dou as mãos e agradeço.
Ao mundo deixo um abraço; um passo maior de mais livros lidos, mais beijos dados, mais sorrisos arrancados. Às pessoas, tento dedicar somente amor, e toda a alegria que possa emanar dele.
Ao ano que chega não desejo nada. Não peço nada, não espero nada. Faço força para viver apenas, e arrancar o mesmo da vida. Da vida, assim também, não espero nada. Deixo ela andar sozinha que é mais emocionante.
À todos que ainda querem, desejo somente um feliz ano, e o maior número de braços que puderem abraçar.
Ao mundo deixo um abraço; um passo maior de mais livros lidos, mais beijos dados, mais sorrisos arrancados. Às pessoas, tento dedicar somente amor, e toda a alegria que possa emanar dele.
Ao ano que chega não desejo nada. Não peço nada, não espero nada. Faço força para viver apenas, e arrancar o mesmo da vida. Da vida, assim também, não espero nada. Deixo ela andar sozinha que é mais emocionante.
À todos que ainda querem, desejo somente um feliz ano, e o maior número de braços que puderem abraçar.
terça-feira, 17 de novembro de 2009
"Sorria, sorria" diziam, e mesmo no calor que estia, se via vazia de riso para enfim sorrir em vão.
"Sabe...", pensava. "Discordo do modo que falam e calam e criticam só pelo esporte que é criticar. Sofro, ao invés de sorrir, que é mais bonito e mais pensado; e assim é, de certa forma, mais fácil carregar o fado."
"Sabe...", pensava. "Discordo do modo que falam e calam e criticam só pelo esporte que é criticar. Sofro, ao invés de sorrir, que é mais bonito e mais pensado; e assim é, de certa forma, mais fácil carregar o fado."
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
sábado, 3 de outubro de 2009
"(...) Eu gosto quando mentem! A mentira é o único privilégio humano perante todos os organismos. Quem mente chega à verdade! Minto, por isso sou um ser humano. Nunca se chegou a nenhuma verdade sem antes haver mentido de antemão quatorze, e talvez até cento e quatorze vezes, e isso é uma espécie de honra; mas nós não somos capazes nem de mentir com inteligência! Mente para mim, mas mente a teu modo, e então eu te dou um beijo. Mentir a teu modo é quase melhor do que falar a verdade à moda alheia; no primeiro caso és um ser humano, no segundo, não passas de um pássaro! A verdade não foge e a vida a gente pode segurar com pregos; exemplos houve. E hoje, o que nós fazemos? Todos nós, todos sem exceção, no que se refere à ciência, ao desenvolvimento, ao pensamento, aos inventos, aos ideias, aos desejos, ao liberalismo, à razão, à experiência e tudo, tudo, tudo, tudo, ainda estamos na primeira classe preparatória do colégio! Nós nos contentamos em viver da inteligência alheia - e nos impregnamos! (...)"
F. Dostoiévski
F. Dostoiévski
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
K.,
A ti escrevo com uma certa urgência.
Escrevo sempre, pois pretendo acabar com o hábito da conversa solitária. Não tenho pretensão de parecer uma daquelas senhorinhas malucas que tagarelam pelas calçadas sem o menor pudor ou a menor noção de que o ouvinte é, para todos, invisível.
Também queria avisar que o mundo vai bem daqui de baixo, e também que agora acredito que forjei os pés para andar sozinha. Deves estar muito orgulhoso de mim. Eu mesma fiquei. Imagines minha mãe!
Sabes, queria ouvir que tu vais muito bem. Mas acredito que sim; tua felicidade me contagia. Tua alegria me embriaga e enobrece. Portanto, se assim estou, suponho que assim estejas também.
Da vida, conto-te que os homens ainda a vivem da mesma forma. Vivem passivamente, esquecem das paixões, do furor, euforia, essas coisas dos românticos fora de moda. Não se tem ideal no qual se agarrar, grande amigo; passivamente se vivem até as paixões.
Dos balcões de Ipanema, a vida ainda passa curta. Falta muita coisa, tu sabes, sempre soube. Falta amor.
Mas de amor, ninguém mais fala, que saibas disso também. Sinto muito, e sinto mesmo, mas são os poucos que sobraram. O amor se extinguiu, morre de dois em três dias. Alguns se salvam, graças ao bom credo.
Bom, de notícias me basto já. Agradeço por teu cuidado e dedicação pelo andar. Tu caminhas da forma mais amável possível, sempre pude enxergar.
Já sei que tu te resolvestes, bom amigo. Nós, talvez tenhamos simplesmente nos conformado. Mas assim está bom também.
A ti as palavras das mais carinhosas.
A ti escrevo com uma certa urgência.
Escrevo sempre, pois pretendo acabar com o hábito da conversa solitária. Não tenho pretensão de parecer uma daquelas senhorinhas malucas que tagarelam pelas calçadas sem o menor pudor ou a menor noção de que o ouvinte é, para todos, invisível.
Também queria avisar que o mundo vai bem daqui de baixo, e também que agora acredito que forjei os pés para andar sozinha. Deves estar muito orgulhoso de mim. Eu mesma fiquei. Imagines minha mãe!
Sabes, queria ouvir que tu vais muito bem. Mas acredito que sim; tua felicidade me contagia. Tua alegria me embriaga e enobrece. Portanto, se assim estou, suponho que assim estejas também.
Da vida, conto-te que os homens ainda a vivem da mesma forma. Vivem passivamente, esquecem das paixões, do furor, euforia, essas coisas dos românticos fora de moda. Não se tem ideal no qual se agarrar, grande amigo; passivamente se vivem até as paixões.
Dos balcões de Ipanema, a vida ainda passa curta. Falta muita coisa, tu sabes, sempre soube. Falta amor.
Mas de amor, ninguém mais fala, que saibas disso também. Sinto muito, e sinto mesmo, mas são os poucos que sobraram. O amor se extinguiu, morre de dois em três dias. Alguns se salvam, graças ao bom credo.
Bom, de notícias me basto já. Agradeço por teu cuidado e dedicação pelo andar. Tu caminhas da forma mais amável possível, sempre pude enxergar.
Já sei que tu te resolvestes, bom amigo. Nós, talvez tenhamos simplesmente nos conformado. Mas assim está bom também.
A ti as palavras das mais carinhosas.
terça-feira, 29 de setembro de 2009
"(...) E eu te amo quase como o vento sopra a luz, que é da maior delicadeza possível. Transparece em cada feixe de cor, traçado em arco-íris (...).
E ser tua é também quase como ser a própria luz, em intensidade e brilho; um arrepio leve no feixe ao sopro do vento, e a promessa de fuga a todo, ou a destino algum.
E, finalmente, te amar é como viver: quer-se cada vez mais, e é um dos sentimentos mais urgentes que se pode ter."
E ser tua é também quase como ser a própria luz, em intensidade e brilho; um arrepio leve no feixe ao sopro do vento, e a promessa de fuga a todo, ou a destino algum.
E, finalmente, te amar é como viver: quer-se cada vez mais, e é um dos sentimentos mais urgentes que se pode ter."
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