domingo, 30 de agosto de 2009

Inspirado e quase-resposta ao "Acaso mal-dosado (lotérica)", do Pedro Braga

Querido, joga os dados como quem escreve aquele que não teme.
Perder não é o grande lance, como um retrato transversado de perfil.
Se as distâncias perdem a competência nos esbarros dos acasos,
Pedir licença já não é mais a solução:
Fugimos pela tangente.
Os acasos, de certa forma, delimitam o leque de oportunidades...
Deixaram-me jogada à própria sorte.
Se o prazer-a-prazo é forma de precipício, mostra que eu fujo:
Não sou hedonista.
Como um poeta dedicado ao anonimato, uso o vocativo sem medo de afastar.
Querido, se os versos sucedem as tentativas, já lucrou com o sucesso pretenso.
Continua e escreve como quem joga dados,
Que é do maior encanto, de soslaio ou não.

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