segunda-feira, 30 de março de 2009

Diálogos

Eu estava deitada na minha cama quando pensei nisso tudo. Não que isso seja algo muito incomum. Na verdade, quando me sobra tempo, eu tenho esse hábito - quase um talento - de deitar na cama, de barriga pra cima, e ficar pensando.
Não sou do tipo que dorme à toa, em qualquer lugar. Quando resolvo tirar um cochilo fora de hora (que pra mim se chama qualquer hora que não seja a hora de dormir de verdade), fico em um estado delicioso de torpor, numa vigília com hora marcada para acabar - salve a ansiedade! - que me trás imagens e constatações confortantes.

Voltando ao ponto anterior, confesso que é meio difícil esclarecer o que é de fato isso tudo que eu ando pensando. Eu sempre penso demais, numa velocidade assustadoramente rápida pro meu próprio bem. Pode, na verdade, ser um monte de nada, olhando a coisa por outro ângulo, mas desenvolver isso me faria perder o fio da meada, que já não tem o hábito de ser muito linear.

Ouvindo uma música gostosa, eu fui pensando em cada detalhezinho da vida. Fui pensando nos sorrisos amigos que eu conheço, das conversas que tive ultimamente, da alegria e tristeza genuina que me assome com a velocidade de um trem japonês, das coisas que eu aprendi, e até do que eu jantei ontem. É uma série de mini acontecimentos que dá cor aos meus dias.

Fui pensando... deixando a embriaguez da semi consciência me levar. E eu dormi.
Sonhei que eu deixava esse plano, mas continuava me vendo ali boba, deitada de barriga pra cima. Resolvi experimentar de fato o que é ir embora e me abandonei. Passeei por vários lugares estranhos, mas o que me marcou foi um campo, um tapete imenso de grama verde, que era tão lindo, tão verde, tão calmo, tão triste, que eu chorei.

E eu deitei na grama e comecei a pensar nas coisas que davam cor àquela minha vida. O tom da grama era tão forte que me ofuscou e eu não consegui mais sentir direito. Aí eu pensei nas coisas que eu amo e na simplicidade que é viver intensamente, mesmo que aos pouquinhos, pra não machucar tanto. Pensei em como sentir é bom.

Tive a oportunidade de me desapegar. Não quis.

Ali, no campo, fiquei mais uma vez entorpecida das minhas divagações que adormeci de novo e acordei na minha cama, na mesma posição da cama e da grama. Pesei se é melhor a calma, o mato verde tão bonito que entristece, ou viver nesse mundo de verdade que só é bonito se a gente quiser que seja.
Aí eu escolhi querer o mundo bonito do meu jeito. Minhas coisas, minhas gramas mal cortadas, minhas conversas, meus sorrisos lindos, minhas caras queridas e meus choros, que são palpáveis. Escolhi sentir na pele e aprender a dormir à tarde.

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