Vi um pedaço de caminho, que era tão calmo, e tão comprido, que nele resolvi entrar. Era uma fatia de vento bom, um amor que eu já conhecia de muito antes. O caminho era comprido e parecia nada a lugar nenhum ligar... nele fui mesmo assim.
Quando comecei a andar, me arrebatou uma vontade desenfreada de correr. De fugir. Senti tanto medo de perder, de perder não sei o quê, que corri, fugi. Voei por horas a fio, e o caminho nunca parecia terminar, não via fim naquela imensidão.
Às vezes a paisagem mudava um pouco, menos ou mais árvores, umas pedras aqui e acolá, uns arbustos floridos, uma montanha longíqua... Numas partes, tudo ficava mais escuro, e foi aí que comecei a me cansar.
Resolvi me sentar.
Achei uma pedra de tamanho médio, a mim cabia direitinho. Sentei para descansar. Tudo me pareceu escuro demais. Assomou-me um medo terrível e me pus a correr de novo. Parei. Era só um esquilo.
Resolvi parar de fugir. Fugir para quê, de quem?
Recomecei a andar, num passo lerdo, como quem passeia. Passei a observar melhor a vida em volta de mim. Era tudo tão bonito. Por quê então toda essa inquietude?
Avistei um fim. Era, se é que isso é possível, ainda mais lindo que o caminho que eu seguia. Havia feito as pazes comigo mesma: descobri que o medo que me assomava era de mim. Que de quem fugia, era de mim. Que nos tempos em que vivi em perigo, vivia assim por ser inimigo de mim.
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