segunda-feira, 25 de maio de 2009

Meu retrato de Laura

Laura é bonita,
diferente, latente.
sofre a vida assim sem menos,
vive como gente.
Sua boca é linda, vermelha, carnal.
Perde a inocência num desvio óbvio, obscuro, claro
numa noitezinha de carnaval.
Seu cabelo é louro,
quase louro.
Louro eu digo, mas que na verdade é escuro.
Escuros são os fios d'ouro.
O nome dela,
Laura, querida,
não nomeia.
Dá, mas dá, me dá,
nome de mentira que fica grudado aqui na cabeça
com os cabelos.
Fica preso no sonho que eu sonho todos os dias
com você.
Seu corpo é comprido e encomprida a compridância
de um abraço que marca,
que me protege.
É tão bom.
Meu desejo fica fechado,
trancado num segredo que não conto
não conto pra ninguém
pra ninguém saber que gosto tanto de Laura.
Pra não gostarem também.
A Laura dança,
sabe dançar,
mas perto dela, o samba fica mudo.
A nota de um samba só fica
triste, sozinha
notada, sambada,
mas só.
Só sem Laura.

E sem Laura, sozinho ou não, não vivo.

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