Eu estava deitada na minha cama quando pensei nisso tudo. Não que isso seja algo muito incomum. Na verdade, quando me sobra tempo, eu tenho esse hábito - quase um talento - de deitar na cama, de barriga pra cima, e ficar pensando.
Não sou do tipo que dorme à toa, em qualquer lugar. Quando resolvo tirar um cochilo fora de hora (que pra mim se chama qualquer hora que não seja a hora de dormir de verdade), fico em um estado delicioso de torpor, numa vigília com hora marcada para acabar - salve a ansiedade! - que me trás imagens e constatações confortantes.
Voltando ao ponto anterior, confesso que é meio difícil esclarecer o que é de fato isso tudo que eu ando pensando. Eu sempre penso demais, numa velocidade assustadoramente rápida pro meu próprio bem. Pode, na verdade, ser um monte de nada, olhando a coisa por outro ângulo, mas desenvolver isso me faria perder o fio da meada, que já não tem o hábito de ser muito linear.
Ouvindo uma música gostosa, eu fui pensando em cada detalhezinho da vida. Fui pensando nos sorrisos amigos que eu conheço, das conversas que tive ultimamente, da alegria e tristeza genuina que me assome com a velocidade de um trem japonês, das coisas que eu aprendi, e até do que eu jantei ontem. É uma série de mini acontecimentos que dá cor aos meus dias.
Fui pensando... deixando a embriaguez da semi consciência me levar. E eu dormi.
Sonhei que eu deixava esse plano, mas continuava me vendo ali boba, deitada de barriga pra cima. Resolvi experimentar de fato o que é ir embora e me abandonei. Passeei por vários lugares estranhos, mas o que me marcou foi um campo, um tapete imenso de grama verde, que era tão lindo, tão verde, tão calmo, tão triste, que eu chorei.
E eu deitei na grama e comecei a pensar nas coisas que davam cor àquela minha vida. O tom da grama era tão forte que me ofuscou e eu não consegui mais sentir direito. Aí eu pensei nas coisas que eu amo e na simplicidade que é viver intensamente, mesmo que aos pouquinhos, pra não machucar tanto. Pensei em como sentir é bom.
Tive a oportunidade de me desapegar. Não quis.
Ali, no campo, fiquei mais uma vez entorpecida das minhas divagações que adormeci de novo e acordei na minha cama, na mesma posição da cama e da grama. Pesei se é melhor a calma, o mato verde tão bonito que entristece, ou viver nesse mundo de verdade que só é bonito se a gente quiser que seja.
Aí eu escolhi querer o mundo bonito do meu jeito. Minhas coisas, minhas gramas mal cortadas, minhas conversas, meus sorrisos lindos, minhas caras queridas e meus choros, que são palpáveis. Escolhi sentir na pele e aprender a dormir à tarde.
segunda-feira, 30 de março de 2009
Sem título
Já faz tanto tempo que a gente não se vê. Tanto tempo que a gente não sorri junto. Às vezes, eu sinto a sua falta, assim, sem mais nem menos, sem motivo de verdade. Às vezes eu vejo uma coisa qualquer que me lembra você. Um cabelo parecido com o seu, uma folha voando. Não tem muita explicação; parece que o mundo ainda respira você.
Às vezes eu lembro das coisas todas que eu ainda ia conversar com você, que eu ia contar, que você ia viver. Eu estou vivendo, mas eu não posso mais conversar, nem contar, nem... eu tenho muito medo, sabia?
Eu sempre lembro da sua cara lisinha, do seu sorriso encantador, de quão divertido você é. Eu lembro de umas partes específicas. Eu lembro do seu tênis, eu lembro dos seus dentes, do seu nariz, das suas mãos.
Eu lamento que a gente tenha perdido tanto tempo com infantilidade. Eu podia ter aproveitado a sua companhia melhor. Podia ter olhado de mais perto, ao invés de ter estado tão longe.
A gente sempre foi próximo, do nosso jeito. Sempre esteve perto, distante ao mesmo tempo, mas sempre em sintonia, sempre concordando, sempre pensando junto.
E eu pensei tanto em você nesses dias. Eu sempre penso em você enquanto eu vivo. E eu sinto medo, eu tenho muito medo do tempo passar e eu esquecer como é o seu rosto inteiro. Não quero que as partes que eu lembro simplesmente desapareçam.
Mas você foi embora sem se despedir.
Às vezes eu lembro das coisas todas que eu ainda ia conversar com você, que eu ia contar, que você ia viver. Eu estou vivendo, mas eu não posso mais conversar, nem contar, nem... eu tenho muito medo, sabia?
Eu sempre lembro da sua cara lisinha, do seu sorriso encantador, de quão divertido você é. Eu lembro de umas partes específicas. Eu lembro do seu tênis, eu lembro dos seus dentes, do seu nariz, das suas mãos.
Eu lamento que a gente tenha perdido tanto tempo com infantilidade. Eu podia ter aproveitado a sua companhia melhor. Podia ter olhado de mais perto, ao invés de ter estado tão longe.
A gente sempre foi próximo, do nosso jeito. Sempre esteve perto, distante ao mesmo tempo, mas sempre em sintonia, sempre concordando, sempre pensando junto.
E eu pensei tanto em você nesses dias. Eu sempre penso em você enquanto eu vivo. E eu sinto medo, eu tenho muito medo do tempo passar e eu esquecer como é o seu rosto inteiro. Não quero que as partes que eu lembro simplesmente desapareçam.
Mas você foi embora sem se despedir.
terça-feira, 24 de março de 2009
Um ensaio
De acordo com as normas naturais da espécie humana, o corpo cresce em ritmo de progressão. Espera-se que o mesmo aconteça com nossas mentes, de forma que no auge da vida alcancemos a maturidade suprema e nas extremidades anterior e posterior a isso, nós sejamos ingênuos como crianças.
Pois bem.
Essa história de maturidade, é, porém, um pouco subjetiva. O que é isso afinal e de que raios se fala tanto por aí?
- Por partes, por favor.
Amor, vamos lá. Maturidade no amor. Seria isso então a capacidade de se estabelecer, levar um relacionamento à sério, o desejo de união entre duas vidas, formar uma família... (?) ou quem sabe, crer que o amor já não existe? O fato de já se estar tão calejada das relações interpessoais mundanas às vezes no leva à isso. É como ter um colete à prova de amores, paixões, paixonites e tudo que isso envolve.
Confesso que não tenho a menor idéia do que é ser maduro nessa relação de sentimentos. Há de se pensar que essa é aquela pessoa que não dá escandalosos ataques de ciúmes, se vinga das maneiras mais xulas e infantis, enfim, é centrado. É bom ser assim, racional? Não poderia ser melhor ser genuinamente passional?
A verdade é que não sei o que é melhor.
Pensando bem, não tenho o mínimo interesse em saber o que é melhor. Quem disse que tem uma opção melhor?
Se sou a prova de amor, não me machuco. Se fico à mercê dele, acabo que dilacerando um dia desses.
Será que tenho mesmo que escolher uma das opções?
Acho que fico com... acho que prefiro me machucar, mesmo que não seja de fato o melhor. Me machucar várias e várias vezes, se for pra amar e ser feliz por várias e várias vezes. Não preciso de pressa, nem que ninguém me convença que é preciso ter pressa, pra organizar uma vida. Aliás, quem disse que eu quero organizar uma vida? É tão bom viver desse jeito, deixando as coisas seguirem seu curso natural, sem planos homéricos crescendo em ritmo de progressão. E... quem já não enlouqueceu de paixão? Faz parte da nossa essência.
O importante mesmo é fazer tudo com amor. Com um monte dele.
Pois bem.
Essa história de maturidade, é, porém, um pouco subjetiva. O que é isso afinal e de que raios se fala tanto por aí?
- Por partes, por favor.
Amor, vamos lá. Maturidade no amor. Seria isso então a capacidade de se estabelecer, levar um relacionamento à sério, o desejo de união entre duas vidas, formar uma família... (?) ou quem sabe, crer que o amor já não existe? O fato de já se estar tão calejada das relações interpessoais mundanas às vezes no leva à isso. É como ter um colete à prova de amores, paixões, paixonites e tudo que isso envolve.
Confesso que não tenho a menor idéia do que é ser maduro nessa relação de sentimentos. Há de se pensar que essa é aquela pessoa que não dá escandalosos ataques de ciúmes, se vinga das maneiras mais xulas e infantis, enfim, é centrado. É bom ser assim, racional? Não poderia ser melhor ser genuinamente passional?
A verdade é que não sei o que é melhor.
Pensando bem, não tenho o mínimo interesse em saber o que é melhor. Quem disse que tem uma opção melhor?
Se sou a prova de amor, não me machuco. Se fico à mercê dele, acabo que dilacerando um dia desses.
Será que tenho mesmo que escolher uma das opções?
Acho que fico com... acho que prefiro me machucar, mesmo que não seja de fato o melhor. Me machucar várias e várias vezes, se for pra amar e ser feliz por várias e várias vezes. Não preciso de pressa, nem que ninguém me convença que é preciso ter pressa, pra organizar uma vida. Aliás, quem disse que eu quero organizar uma vida? É tão bom viver desse jeito, deixando as coisas seguirem seu curso natural, sem planos homéricos crescendo em ritmo de progressão. E... quem já não enlouqueceu de paixão? Faz parte da nossa essência.
O importante mesmo é fazer tudo com amor. Com um monte dele.
segunda-feira, 23 de março de 2009
Roteiro de viagem
Hoje eu sonhei assim:
Saí de casa. Que facilidade mais complicada. Foram uns três dias desesperados de malas, lembretes, baterias e escovas de dentes, cálculos homéricos que relacionam número de pares de sapatos à graus negativos de temperatura, desculpas esfarrapadas para todo tipo, espécie e gênero de situação, saídas esporádicas de casa com o objetivo óbvio de evitar todo o trabalho que é de fato arrumar uma mala de vida e uns maços extra de Marlboro Lights.
Tenho medo de avião, acho melhor dormir.
Frontal?
- Obrigada.
Acordei tomando remédio para dormir, vê se pode.
Saí de casa. Que facilidade mais complicada. Foram uns três dias desesperados de malas, lembretes, baterias e escovas de dentes, cálculos homéricos que relacionam número de pares de sapatos à graus negativos de temperatura, desculpas esfarrapadas para todo tipo, espécie e gênero de situação, saídas esporádicas de casa com o objetivo óbvio de evitar todo o trabalho que é de fato arrumar uma mala de vida e uns maços extra de Marlboro Lights.
Tenho medo de avião, acho melhor dormir.
Frontal?
- Obrigada.
Acordei tomando remédio para dormir, vê se pode.
Zungenbrecher #2
Schnellsprechsprüche spreche ich schwer schnell.
Flankenkicker Flick kickt flinke Flanken. Flinke Flanken kickt Flankenkicker Flick.
Klaus Knopf liebt Knödel, Klösse, Klöpse. Knödel, Klösse, Klöpse liebt Klaus Knopf.
Die Bürsten mit den schwarzen Borsten bürsten besser als die Bürsten mit den weissen Borsten Bürste!
Wenn der Benz bremst, brennt das Benz-Bremslicht. Das Benz-Bremslicht brennt, wenn der Benz bremst.
Es klapperten die Klapperschlangen bis ihre Klappern schlapper klangen.
Der Zahnarzt zieht Zähne mit Zahnarztzange im Zahnarztzimmer.
Fischers Fritze fischte frische Fische, frische Fische fischt Fischers Fritze.
Flankenkicker Flick kickt flinke Flanken. Flinke Flanken kickt Flankenkicker Flick.
Klaus Knopf liebt Knödel, Klösse, Klöpse. Knödel, Klösse, Klöpse liebt Klaus Knopf.
Die Bürsten mit den schwarzen Borsten bürsten besser als die Bürsten mit den weissen Borsten Bürste!
Wenn der Benz bremst, brennt das Benz-Bremslicht. Das Benz-Bremslicht brennt, wenn der Benz bremst.
Es klapperten die Klapperschlangen bis ihre Klappern schlapper klangen.
Der Zahnarzt zieht Zähne mit Zahnarztzange im Zahnarztzimmer.
Fischers Fritze fischte frische Fische, frische Fische fischt Fischers Fritze.
De cor e salteado
De diálogos e insinuações genuinamente pueris, surgiu um atestado (já testado). Quem diria que de tanta lamúria, tanta vida já vivida, o seu deus laureado fosse surgir exatamente... agora?
Foi como se a mão de Apolo tivesse tocado seu rosto e a feito abrir os olhos para a realidade: era realmente isso que acontecia, um homem em toda sua integridade física.
Ele veio, ficou, gostou, amou, usou, se foi, voltou, desapareceu.
E a pobre moça sentou-se novamente na sua sacada e olhou a vida passar, com mais insinuações pueris e as lamentações empíricas
Foi como se a mão de Apolo tivesse tocado seu rosto e a feito abrir os olhos para a realidade: era realmente isso que acontecia, um homem em toda sua integridade física.
Ele veio, ficou, gostou, amou, usou, se foi, voltou, desapareceu.
E a pobre moça sentou-se novamente na sua sacada e olhou a vida passar, com mais insinuações pueris e as lamentações empíricas
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