quarta-feira, 24 de junho de 2009

R.

Da alma, calo que inflama, recebo conforto.
Mentira.
Do corpo, calor que acalma a flama, sacio.
Sou vazia.
Do amor, que prometeu pontes e endereços, me engano.
Verdade.
De você, que já fazem três anos...
Saudade.

Retrato seu e meu ou declarações a Caio Moraes Ferreira

Encapo-me no disfarce do falso. Deixo de lado todo jogo que insistem em chamar afeto.
Eu não me afeto.
Eu finjo que não amo. Finjo que não sinto, que sou pedra. Pedra dura que batem, mas ninguém fura.
Afeta-me, porém, a pequeneza e audácia dos que brincam com as imprudências dos amores pós modernos... E chamam isso tudo de amor. É mesmo triste o ser humano.
Disfarço-me de frieza e mármore. Sou falsa, sou rasa. Volátil, retrátil, imortal... mas me afeta - e como - fingir que não me afeto, que sou animal.
Apego-me aos meus silêncios e rejeito suas rejeições.

À parte, declaro:
Apego-me e afeiçoo-me a você, meu amigo, meu amor, porque me convém. Você, mais que o mundo, sabe ser minha minudência de integridade. Meu canto de saudade. De verdade.
Você é imortal, mas raso; intenso, mas retrátil, e humano, sobretudo humano. Sem resquício animal. Sem disfarce. Sem capa. Sem falso. Real.

Você, minha realidade.
Eu, sua raridade.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Ontem

Ontem eu derramei umas lágrimas por você. Na verdade, para, e não por você.
Minha oferenda silenciosa não sentiu o gosto dos suspiros que deixei para você. Os suspiros, engasgados, ficaram presos, com vergonha de existir.
Essas lágrimas, morena, lhe dei para extravasar, para chamar você pro agora, que não é amanhã, e nem ontem.
Ontem eu derramei umas lágrimas para você. Derramei só pra você sair, sair assim de mim.
Pois se lhe choro, lhe perco, mulher, e lhe perdendo, me mostro. E me mostro como quem atua. Mostro toda minha fachada crua. Nua.
Não sou de papel. Não rasgo fácil assim. Minha nudez me envolve. Não me preocupo. Reergo.
Ontem eu derramei umas lágrimas para você. Para você sair inteira e vazia de mim.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Ver pra crer

"i'm going São Tomé on him"

Adriana Raupp

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Renovando

Você morreu. Todos meus exatos 732 amores dispersos se foram também. Matei-os todos com prazer serial. Chutei-os todos com fervor animal.
Matei meus amores e assisti. Observei sadicamente a morte lenta, sofrida e dolorosa de cada um. Matei por dever. Matei por prazer. Eu gostei.
Sei bem que uns 3 ou 4 me voltam. É o hábito.
Quem sabe não me livro de mais uma dúzia de (maus) hábitos... Afinal, quem mais acredita no amor?

terça-feira, 9 de junho de 2009

Petit Mort

A ti ofereci meus sentidos,
Que, mesmo sem os dar,
Por ti foram confundidos
Num só. A escutar,
Por ti sentem e por ti respiram,
Mas a ti não se querem mostrar,
Pois por ti ainda deliram.

Se a ti mostro o gosto dos sentidos,
Que, crus, fazem engasgar,
Tu foges, pois, tolo, os vê despidos
De carne, e vestidos de pesar.
E por ti, que vê amor onde os olhos mentem,
Padeço no brilho fugaz de lamentar
A prepotência tua e dos que assim sentem.