quarta-feira, 24 de junho de 2009

Retrato seu e meu ou declarações a Caio Moraes Ferreira

Encapo-me no disfarce do falso. Deixo de lado todo jogo que insistem em chamar afeto.
Eu não me afeto.
Eu finjo que não amo. Finjo que não sinto, que sou pedra. Pedra dura que batem, mas ninguém fura.
Afeta-me, porém, a pequeneza e audácia dos que brincam com as imprudências dos amores pós modernos... E chamam isso tudo de amor. É mesmo triste o ser humano.
Disfarço-me de frieza e mármore. Sou falsa, sou rasa. Volátil, retrátil, imortal... mas me afeta - e como - fingir que não me afeto, que sou animal.
Apego-me aos meus silêncios e rejeito suas rejeições.

À parte, declaro:
Apego-me e afeiçoo-me a você, meu amigo, meu amor, porque me convém. Você, mais que o mundo, sabe ser minha minudência de integridade. Meu canto de saudade. De verdade.
Você é imortal, mas raso; intenso, mas retrátil, e humano, sobretudo humano. Sem resquício animal. Sem disfarce. Sem capa. Sem falso. Real.

Você, minha realidade.
Eu, sua raridade.

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