segunda-feira, 22 de junho de 2009

Ontem

Ontem eu derramei umas lágrimas por você. Na verdade, para, e não por você.
Minha oferenda silenciosa não sentiu o gosto dos suspiros que deixei para você. Os suspiros, engasgados, ficaram presos, com vergonha de existir.
Essas lágrimas, morena, lhe dei para extravasar, para chamar você pro agora, que não é amanhã, e nem ontem.
Ontem eu derramei umas lágrimas para você. Derramei só pra você sair, sair assim de mim.
Pois se lhe choro, lhe perco, mulher, e lhe perdendo, me mostro. E me mostro como quem atua. Mostro toda minha fachada crua. Nua.
Não sou de papel. Não rasgo fácil assim. Minha nudez me envolve. Não me preocupo. Reergo.
Ontem eu derramei umas lágrimas para você. Para você sair inteira e vazia de mim.

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