Escrevi um trecho agora. Não foi pra você, nem pra ninguém.
Não foi pra provar nada, mostrar nada. Foi só pra jogar. Jogar as coisas, sabe como é.
Tudo anda novo de novo. A gente (digo, eu) tem certa necessidade de desapego. Não desapego da forma literal, ainda que sim, mas é preciso deixar pra lá as coisas que a gente sente. Pensar, sentir, sentir muito, muito mesmo, e guardar num cantinho, só por uns tempinhos, pra descansar. Descansar de sentir. Eu tento fazer isso, tento sempre, tento muito. Não consigo. Desapego é uma palavra que meu dicionário não conhece. É tão difícil.
E eu sinto falta, sinto sempre. Sinto falta de umas coisas que eu mesma não consigo decifrar. Preciso talvez de ajuda, mas não gosto muito de procurar. Gosto das coisas assim achadas. Gosto do repente.
E é difícil não saber o que querer. Ai, tenho achado as coisas difíceis. Na verdade, achado não tenho nada.
Não gosto de falar difícil. Dificulta.
Sabe, mesmo que eu não tenha escrito nada pra você, nem pra ninguém, nem pra mim, eu insisto em lhe usar sempre como o meu ouvinte. É bom ter a sua imagem me escutando, assentindo tudo que eu falo. Assentir. Você assente da forma mais intransitiva que um verbo pode ser.
Você é um ouvinte silencioso. É bom quando aguentar críticas é difícil. Taí. Difícil de novo.
E é isso. Jogo as coisas pra fora, mas o sentimento fica sempre. E o sentimento é complicado, confuso, louco, louco, como tudo parece insistir em ser na minha vida. Eu reclamo mas, sabe, eu adoro uma loucura.
E eu aqui jogando as coisas, falo com você. Só que, estupidamente, insisto em dizer que escrevo pra mostrar que eu não devo nada a você, nem a ninguém.
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